20 de mar de 2011

Sábado: Irmãos de sangue.


Acabo de assistir a um filme chamado "Irmãos de Sangue". A princípio, imaginei que seria mais um filme que um mesmo cara interpretasse dois papéis e que, no final, todos ficariam admirados com sua maravilhosa atuação. Claro que a atuação é realmente muito boa e, se não fosse tamanho profissionalismo por parte do elenco, o filme não me motivasse a escrever esta análise. Entretanto, o filme vai muito além. Para começar, algo que me surpreendeu foi a sinopse que encontrei na net sobre o mesmo. Sinopse não era para dar uma prévia do filme de modo que fizesse com que os leitores se tornassem futuros espectadores do filme em questão? Desta forma, no mínimo a sinopse deveria falar de como o filme é e não resumir superficialmente e preguiçosamente em algumas linhas um filme que merece uma página inteira a seu respeito. Infelizmente, devo avisá-los de que minha proposta com este texto não é reescrever a sinopse, mas sim analisar filosoficamente o filme, ou seja, se você não assistiu ao filme e não tem intenção de assisti-lo, não acho que seja muito válido continuar a leitura, mas eu o indico a todos, sobretudo aos meus companheiros acadêmicos de filosofia na Federal do Maranhão.

Sem mais delongas, analisem por si mesmos a pseudo-sinopse que encontrei na net:


"Bill e Brady Kincaid (Edward Norton) são gêmeos idênticos, mas levam vidas bem diferentes. Um deles é professor de filosofia, enquanto que o outro é traficante de drogas. Quando o professor é confundido com seu irmão, ele passa a ser perseguido por vários clãs do narcotráfico, que desejam vê-lo morto." Retirado do AmoCinema.com

 Edward Norton
 
O AmoCinema.com classificou o filme como Drama e outro site pesquisado o classificou, vergonhosamente, como comédia policial. É claro que discordo das duas classificações, pois apesar de o filme ter uma pitada de drama, não é o seu foco. Desta maneira, me permito sair das regras de classificação de gênero para filmes e inventar um gênero novo, chamado "disfarçadamente filosófico". A seguir explicarei o porquê.


O filme inicia com o professor de filosofia (Bill) explicando à sua classe - muito interessada, por sinal- uma obra de Platão. Obra esta que qualquer calouro de filosofia já estudou na vida, portanto, é acessível e de moderada compreensão. A obra escolhida para iniciar o filme foi "O banquete", obra sobre o amor e, sobretudo, sobre a paixão. Não apenas a paixão romântica, mas sim a paixão arbitrária que exercemos sobre a vida e, por conseguinte, o desequilíbrio que recebemos por possuí-la.

A questão inicial que devemos fazer neste ponto é: Por que Tim Blake Nelson (autor do filme) escolheu esta obra para ponto de partida de todo o seu filme. Será que foi apenas uma forma de mostrar que seu protagosnista é professor de filosofia e, portanto, leciona sobre obras filosóficas ou será que existem motivações escondidas nesta escolha?

Continuei assistindo ao filme com este questionamento na cabeça e, ao passo que as tramas iriam se desenrolando, pude notar que não haveria obra filosófica mais apropriada para iniciar este filme senão O Banquete, pelo simples fato de que o filme inteiro é uma louca releitura da obra. Contudo, como eu disse no início, é um filme disfarçadamente filosófico, ou seja, suas discussões e polêmicas implícitas fazem com que o público alvo do filme não seja tão direcionado, de forma que se agrade dele todos os tipos de pessoas, com seus mais variados níveis de saber.

Durante sua aula, o professor Bill explica como aconteceu O Banquete, cita Alcibíades e sobre a paixão que este sentia por Sócrates. Fala também que Alcibíades era rico e até certo ponto bonito, ao passo que Sócrates era desprovido de maiores bens naturais e materiais. Como é explicitado, a maior fortuna de Sócrates era sua sabedoria e, portanto, todos queriam estar próximo dele para que se abastacessem da mesma. Contudo, esta paixão não correspondida tirava de Alcibíades todo o seu equilíbrio vital e, neste ponto, não mais interessavam os bens materiais e sua beleza natural. Por isto, o equilíbrio é o ponto chave deste filme.

Não é retratada em primeiro plano a paixão romântica, mas duas paixões distintas que levam ambos os portadores ao desequilíbrio inevitável. A primeira paixão retratada é a do professor pela sua vida acadêmica bem sucedida, paixão esta que culmina na perda de tudo que ele lutou e estudou para conseguir. Não a perda forçada mas a perda por escolha, pois o próprio professor percebeu ao final do filme que tudo aquilo que ele considerou correto para si era, na verdade, errado. O equilíbrio que ele pensou ter encontrado não era equilíbrio, mas sim a busca por ele. Entretanto, quando se busca o quilíbrio, se permanece no desequilíbrio até achá-lo. E assim o professor entendeu que seus valores estavam invertidos.

A segunda paixão retratada é a do traficante (Brady) pela vida livre. Desprovido de quaisquer regras ou doutrinas, Brady cultivava maconha em uma espécie de estufa caseira que ele mesmo projetou. O engraçado é que por mais que Brady fosse "livre" de correntes ortodoxas, ele desenvolveu em sua estufa um revolucionário sistema de plantio que não utilizada nenhum produto senão a água pura. Fato este que o concedeu uma grande quantidade de erva, por conseguinte, chamando a atenção dos demais traficantes do Estado, causando a sua morte mais tarde.

Além desta discussão sobre equilíbrio/desequilíbrio, outro fator que caracteriza o filme como disfarçadamente filosófico são as discussões implícitas em determinadas cenas abaixo citadas:

  • Bill conhece um Judeu no avião. O Judeu pergunta o que Bill faz da vida, este responde que é professor de filosofia clássica, por sua vez, o judeu sorri e diz: "Não é muito útil nos dias de hoje, não é mesmo?" Bill educadamente sorri de volta e replica: "Creio que a humanidade não tenha mudado muito". Ou seja, as discussões são as mesmas por mais que o cenário tenha se alterado.
Esta cena traz à tona toda a antiga discussão do papel da filosofia na sociedade moderna e sobre isto, limito-me a dizer: Se a filosofia não encontra lugar de atuação, nenhuma outra ciência ou estudo encontrará.
  • Um tabu que ronda os estudantes de filosofia é sobre o consumo de drogas e bebidas alcóolicas dos mesmos, retratado no filme da seguinte forma: Brady (traficante) pede que Bill (professor) experimente a erva que ele cultiva. Brady diz que será só uma "tragada", apenas para experimentar e Bill fala: "Eu ganho a vida com a minha mente, prefiro mantê-la limpa" Entretanto, depois de mais insistência do irmão, o professor acaba cedendo. (?)
Imagem acima retrata o momento em que o professor nega experimentar a erva do irmão.

  • Brady pergunta a Bill por que os filósofos limitam-se a escrever sobre os pensamentos de outros filósofos. Por que muito raramente eles escrevem sobre suas próprias teorias. Será que é mais nobre entender o que os clássicos disseram? Falta, neste ponto, descobrir a nobreza que existe em caminhar por um lugar ainda não demarcado. Abro um parênteses para uma discussão que tivemos na semana passada durante uma aula de filosofia antiga. A aluna disse: "Professor, quando imaginamos ter pensado sobre algo novo, descobrimos que outro filósofo já pensou nisto há séculos e até melhor que nós mesmos." O professor replicou: "Isto acontece porque o conhecimento se avolumou, por isso, vocês devem ser mais revolucionários ainda e desafiar a suas mentes a pensar coisas realmente inéditas. E não apenas isto, recriar coisas que já foram pensadas, pois algo antigo não é, necessariamente, algo que não possa ser repensado, mesmo que se chegue à mesma conclusão de antes."
  •  Bill (professor) conhece uma poeta-pescadora. Nota-se que não convencional. Esta claro que neste ponto o autor do filme quis mostrar a aproximação quase romântica entre a filosofia e a poesia. Indiscutivelmente, um belo par. 
Acerca disto, a quem interessar, leiam o texto de Jean Lauand titulado "O Filósofo e o Poeta". Ele diz muito. http://www.hottopos.com/geral/naftalina/poet.htm

Frases dos poucos, mas ricos diálogos entre o filósofo e a poeta:

- "Perfeição: pensamos neste conceito e até sabemos que ela existe, mas nunca poderemos alcançá-la, aí que encontramos Deus."

- "Até a poesia tem suas regras, se todas as pessoas criarem suas regras, como saberemos qual é a certa?"

- "Talvez a verdade esteja na nossa frente e vamos ao encontro dela sem nem ao menos saber que ela está lá"
(PENSE NELAS!!)

Na morte do traficante, o filósofo cita Epicuro quando diz: "É irracional temer a morte, pois quando ela existe, não mais existimos e quando nós existimos, a morte não existe. Por conseguinte, o mais sensato seria temer o nascimento." 

E então este é o fim do filme, o traficante morre, o filósofo ironicamente quase morre também, mas é salvo por um amigo do seu irmão e no fim, deixa-nos o último apelo filosófico:

 "Tinha medo das chuvas de verão e as estudei. Mesmo assim, ainda tenho medo delas." Entretanto, a última cena do filme é a poeta segurando a mão do filósofo, sentados num jardim enquanto chove sobre suas cabeças.


 FIM!






4 comentários:

  1. Tive o prazer de assistir esse filme ao seu lado, e realmente é um filme muito bom, e o gênero para ele deveria ser este mesmo(disfarçadamente-filosofico).
    Acho que a indústria do cinema é a unica que mais freqüentemente nos presenteia com grandes obras.
    Espero ver mais analises e adorei a cara nova do seu espaço(blog). /te amo/

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  2. Adorei sua análise, muitas dessas filosofias disfarçadas me passaram desapercebidas, mas uma frase que me marcou foi essa:

    "É irracional temer a morte, pois quando ela existe, não mais existimos e quando nós existimos, a morte não existe. Por conseguinte, o mais sensato seria temer o nascimento."

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  3. Obrigada!
    Faz tempo que escrevi esta análise, bom saber que chamou sua atenção.
    Abraço.

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Sua vez de falar :)

20 de mar de 2011

Sábado: Irmãos de sangue.


Acabo de assistir a um filme chamado "Irmãos de Sangue". A princípio, imaginei que seria mais um filme que um mesmo cara interpretasse dois papéis e que, no final, todos ficariam admirados com sua maravilhosa atuação. Claro que a atuação é realmente muito boa e, se não fosse tamanho profissionalismo por parte do elenco, o filme não me motivasse a escrever esta análise. Entretanto, o filme vai muito além. Para começar, algo que me surpreendeu foi a sinopse que encontrei na net sobre o mesmo. Sinopse não era para dar uma prévia do filme de modo que fizesse com que os leitores se tornassem futuros espectadores do filme em questão? Desta forma, no mínimo a sinopse deveria falar de como o filme é e não resumir superficialmente e preguiçosamente em algumas linhas um filme que merece uma página inteira a seu respeito. Infelizmente, devo avisá-los de que minha proposta com este texto não é reescrever a sinopse, mas sim analisar filosoficamente o filme, ou seja, se você não assistiu ao filme e não tem intenção de assisti-lo, não acho que seja muito válido continuar a leitura, mas eu o indico a todos, sobretudo aos meus companheiros acadêmicos de filosofia na Federal do Maranhão.

Sem mais delongas, analisem por si mesmos a pseudo-sinopse que encontrei na net:


"Bill e Brady Kincaid (Edward Norton) são gêmeos idênticos, mas levam vidas bem diferentes. Um deles é professor de filosofia, enquanto que o outro é traficante de drogas. Quando o professor é confundido com seu irmão, ele passa a ser perseguido por vários clãs do narcotráfico, que desejam vê-lo morto." Retirado do AmoCinema.com

 Edward Norton
 
O AmoCinema.com classificou o filme como Drama e outro site pesquisado o classificou, vergonhosamente, como comédia policial. É claro que discordo das duas classificações, pois apesar de o filme ter uma pitada de drama, não é o seu foco. Desta maneira, me permito sair das regras de classificação de gênero para filmes e inventar um gênero novo, chamado "disfarçadamente filosófico". A seguir explicarei o porquê.


O filme inicia com o professor de filosofia (Bill) explicando à sua classe - muito interessada, por sinal- uma obra de Platão. Obra esta que qualquer calouro de filosofia já estudou na vida, portanto, é acessível e de moderada compreensão. A obra escolhida para iniciar o filme foi "O banquete", obra sobre o amor e, sobretudo, sobre a paixão. Não apenas a paixão romântica, mas sim a paixão arbitrária que exercemos sobre a vida e, por conseguinte, o desequilíbrio que recebemos por possuí-la.

A questão inicial que devemos fazer neste ponto é: Por que Tim Blake Nelson (autor do filme) escolheu esta obra para ponto de partida de todo o seu filme. Será que foi apenas uma forma de mostrar que seu protagosnista é professor de filosofia e, portanto, leciona sobre obras filosóficas ou será que existem motivações escondidas nesta escolha?

Continuei assistindo ao filme com este questionamento na cabeça e, ao passo que as tramas iriam se desenrolando, pude notar que não haveria obra filosófica mais apropriada para iniciar este filme senão O Banquete, pelo simples fato de que o filme inteiro é uma louca releitura da obra. Contudo, como eu disse no início, é um filme disfarçadamente filosófico, ou seja, suas discussões e polêmicas implícitas fazem com que o público alvo do filme não seja tão direcionado, de forma que se agrade dele todos os tipos de pessoas, com seus mais variados níveis de saber.

Durante sua aula, o professor Bill explica como aconteceu O Banquete, cita Alcibíades e sobre a paixão que este sentia por Sócrates. Fala também que Alcibíades era rico e até certo ponto bonito, ao passo que Sócrates era desprovido de maiores bens naturais e materiais. Como é explicitado, a maior fortuna de Sócrates era sua sabedoria e, portanto, todos queriam estar próximo dele para que se abastacessem da mesma. Contudo, esta paixão não correspondida tirava de Alcibíades todo o seu equilíbrio vital e, neste ponto, não mais interessavam os bens materiais e sua beleza natural. Por isto, o equilíbrio é o ponto chave deste filme.

Não é retratada em primeiro plano a paixão romântica, mas duas paixões distintas que levam ambos os portadores ao desequilíbrio inevitável. A primeira paixão retratada é a do professor pela sua vida acadêmica bem sucedida, paixão esta que culmina na perda de tudo que ele lutou e estudou para conseguir. Não a perda forçada mas a perda por escolha, pois o próprio professor percebeu ao final do filme que tudo aquilo que ele considerou correto para si era, na verdade, errado. O equilíbrio que ele pensou ter encontrado não era equilíbrio, mas sim a busca por ele. Entretanto, quando se busca o quilíbrio, se permanece no desequilíbrio até achá-lo. E assim o professor entendeu que seus valores estavam invertidos.

A segunda paixão retratada é a do traficante (Brady) pela vida livre. Desprovido de quaisquer regras ou doutrinas, Brady cultivava maconha em uma espécie de estufa caseira que ele mesmo projetou. O engraçado é que por mais que Brady fosse "livre" de correntes ortodoxas, ele desenvolveu em sua estufa um revolucionário sistema de plantio que não utilizada nenhum produto senão a água pura. Fato este que o concedeu uma grande quantidade de erva, por conseguinte, chamando a atenção dos demais traficantes do Estado, causando a sua morte mais tarde.

Além desta discussão sobre equilíbrio/desequilíbrio, outro fator que caracteriza o filme como disfarçadamente filosófico são as discussões implícitas em determinadas cenas abaixo citadas:

  • Bill conhece um Judeu no avião. O Judeu pergunta o que Bill faz da vida, este responde que é professor de filosofia clássica, por sua vez, o judeu sorri e diz: "Não é muito útil nos dias de hoje, não é mesmo?" Bill educadamente sorri de volta e replica: "Creio que a humanidade não tenha mudado muito". Ou seja, as discussões são as mesmas por mais que o cenário tenha se alterado.
Esta cena traz à tona toda a antiga discussão do papel da filosofia na sociedade moderna e sobre isto, limito-me a dizer: Se a filosofia não encontra lugar de atuação, nenhuma outra ciência ou estudo encontrará.
  • Um tabu que ronda os estudantes de filosofia é sobre o consumo de drogas e bebidas alcóolicas dos mesmos, retratado no filme da seguinte forma: Brady (traficante) pede que Bill (professor) experimente a erva que ele cultiva. Brady diz que será só uma "tragada", apenas para experimentar e Bill fala: "Eu ganho a vida com a minha mente, prefiro mantê-la limpa" Entretanto, depois de mais insistência do irmão, o professor acaba cedendo. (?)
Imagem acima retrata o momento em que o professor nega experimentar a erva do irmão.

  • Brady pergunta a Bill por que os filósofos limitam-se a escrever sobre os pensamentos de outros filósofos. Por que muito raramente eles escrevem sobre suas próprias teorias. Será que é mais nobre entender o que os clássicos disseram? Falta, neste ponto, descobrir a nobreza que existe em caminhar por um lugar ainda não demarcado. Abro um parênteses para uma discussão que tivemos na semana passada durante uma aula de filosofia antiga. A aluna disse: "Professor, quando imaginamos ter pensado sobre algo novo, descobrimos que outro filósofo já pensou nisto há séculos e até melhor que nós mesmos." O professor replicou: "Isto acontece porque o conhecimento se avolumou, por isso, vocês devem ser mais revolucionários ainda e desafiar a suas mentes a pensar coisas realmente inéditas. E não apenas isto, recriar coisas que já foram pensadas, pois algo antigo não é, necessariamente, algo que não possa ser repensado, mesmo que se chegue à mesma conclusão de antes."
  •  Bill (professor) conhece uma poeta-pescadora. Nota-se que não convencional. Esta claro que neste ponto o autor do filme quis mostrar a aproximação quase romântica entre a filosofia e a poesia. Indiscutivelmente, um belo par. 
Acerca disto, a quem interessar, leiam o texto de Jean Lauand titulado "O Filósofo e o Poeta". Ele diz muito. http://www.hottopos.com/geral/naftalina/poet.htm

Frases dos poucos, mas ricos diálogos entre o filósofo e a poeta:

- "Perfeição: pensamos neste conceito e até sabemos que ela existe, mas nunca poderemos alcançá-la, aí que encontramos Deus."

- "Até a poesia tem suas regras, se todas as pessoas criarem suas regras, como saberemos qual é a certa?"

- "Talvez a verdade esteja na nossa frente e vamos ao encontro dela sem nem ao menos saber que ela está lá"
(PENSE NELAS!!)

Na morte do traficante, o filósofo cita Epicuro quando diz: "É irracional temer a morte, pois quando ela existe, não mais existimos e quando nós existimos, a morte não existe. Por conseguinte, o mais sensato seria temer o nascimento." 

E então este é o fim do filme, o traficante morre, o filósofo ironicamente quase morre também, mas é salvo por um amigo do seu irmão e no fim, deixa-nos o último apelo filosófico:

 "Tinha medo das chuvas de verão e as estudei. Mesmo assim, ainda tenho medo delas." Entretanto, a última cena do filme é a poeta segurando a mão do filósofo, sentados num jardim enquanto chove sobre suas cabeças.


 FIM!






4 comentários:

  1. Tive o prazer de assistir esse filme ao seu lado, e realmente é um filme muito bom, e o gênero para ele deveria ser este mesmo(disfarçadamente-filosofico).
    Acho que a indústria do cinema é a unica que mais freqüentemente nos presenteia com grandes obras.
    Espero ver mais analises e adorei a cara nova do seu espaço(blog). /te amo/

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  2. Adorei sua análise, muitas dessas filosofias disfarçadas me passaram desapercebidas, mas uma frase que me marcou foi essa:

    "É irracional temer a morte, pois quando ela existe, não mais existimos e quando nós existimos, a morte não existe. Por conseguinte, o mais sensato seria temer o nascimento."

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  3. Obrigada!
    Faz tempo que escrevi esta análise, bom saber que chamou sua atenção.
    Abraço.

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