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20 de out. de 2011

Análise Filosófica do filme “Duas Faces da Lei” por Pollyana Cascaes



         
            Sinopse: Após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer.

            Antes de escrever sobre “Duas faces da lei”, li algumas críticas e notei que a opinião era comum: Bons atores, porém roteiro fraco. Entretanto, os autores dessas críticas não avaliaram o teor filosófico do filme em questão e, deste modo, não perceberam a trama que se formava por trás das cenas e dos diálogos. Trata-se, portanto, de um sutil – porém consistente- questionamento filosófico acerca da justiça. Questões como: ‘O que é a justiça’ e ‘Como é formada e a quem é resguardado o dever de garanti-la’ são perguntas chaves para entender o desenrolar do filme e, em conseqüência, reavaliar nossos conceitos muitas vezes petrificados a respeito do que nos envolve.

Desta forma, a fim de embasar teoricamente a minha análise de “Duas faces da lei”, busco auxílio em um autor clássico da filosofia, Voltaire, que em 1764 lança o primeiro “livro de bolso” da história, cuja finalidade era incentivar a leitura das massas. Propositalmente, o livro era um dicionário filosófico, em que Voltaire questionava alguns temas pertinentes na época – não surpreendentemente válidos até hoje – tais como o amor, o bem, Deus, Inferno, Guerra, Democracia, Sonhos, Orgulho, Liberdade, Virtude e, é claro, a Moral e a Justiça.  Portanto, diz Voltaire:

             “A moral é uma, vem de Deus; os dogmas são diferentes, vêm de nós”.

            Nesta citação, entende-se “moral” como a capacidade de distinguir o certo do errado, o justo do injusto, o bem do mal e, uma vez feito, a sabedoria de escolher sempre o certo, justo e bom. Mais adiante, no mesmo livro, Voltaire discorda de Le Beau quando o mesmo diz:

“Os cristãos tinham uma moral; mas os pagãos não tinham nenhuma”

Decepcionado, Voltaire replica:         

“Ah! Senhor Le Beau, onde aprendeu essa tolice? Se estais certo, que vem então a ser a moral de Sócrates, de Zaleucos, de Charondas, de Cícero, de Epicteto, de Marco Antônio?

E Voltaire reitera:

“Há somente uma moral, assim como há somente uma geometria. Mas a maioria dos homens ignora a geometria. A moral, entretanto, jamais pode ser ignorada porque esta provém do coração.”

            Agora temos em mãos quatro citações. Ao ler superficialmente a primeira delas, pode-se cair no erro de acreditar de Voltaire defendia a moral Cristã, neste sentido, Le Beau serve como prova de que Voltaire reprova a moral Cristã e, além disso, defende uma moral completamente nova a época: a moral do coração.

            O que seria, então, esta tal moral a que Voltaire se referia? Voltaire não acreditava em conhecimento inato, portanto Deus não “colocou em nós” a capacidade de distinguir o justo do injusto. Voltaire também não aprovava os dogmas, portanto não é possível afirmar que os homens conhecem a moral a partir das leis que os regem. Pelo contrário, Voltaire já “plantava” o pensamento de que os dogmas (religiosos, principalmente) aprisionavam o homem livre.

            A moral do coração, portanto, é a concepção única do bem que os homens possuem. O saber limpo e esclarecido que rege o pensamento do homem de bem. O discernimento, a luz e, em outras palavras, a procura incessante de todos os filósofos: a razão.

            Mas o que tudo isso tem a ver com “Duas faces da lei”? No filme, um policial que serviu ao Estado de Nova York durante 30 anos, analisa seu histórico na polícia e se depara com 30 anos de uma burocracia legislativa que, por ser tão falha e corruptível, pune os inocentes e premia os culpados. O Policial percebe, então, que a noção deturpada de justiça acaba passando despercebida por aqueles que acreditam cegamente no poder que o Estado possui de garanti-la. Mas diferente da massa politicamente neutra, o policial David Fisk não acredita mais no Estado e resolve restaurar a justiça por conta própria.

            Ele conta, no filme, como e porque eliminou assassinos, estupradores, cafetões e demais agentes da desordem social; dividindo, assim, a opinião de quem assiste: Será que o fato de estar cumprindo sozinho o papel do Estado o torna herói ou vilão?

            Com a finalidade de responder a esta questão, o próprio filme apresenta dois personagens que, na trama, são essenciais para encaminhar o espectador a uma análise mais aprofundada do questionamento. O primeiro personagem é o próprio David Fisk, o policial justiceiro, que compõe um poema para cada vítima justificando o assassinato da mesma. A exemplo temos a décima vítima, um cafetão violento e viciado em drogas, o poema deixado junto ao seu corpo inerte, dizia:

“Ele negocia o pecado e a carne, o mercador
Ele colhe a fruta no auge do seu frescor
Agora ninguém mais vai espancar suas florais
Seu coração parou, ele não respira mais.”

            Este poema e mais treze escritos pelo policial, cada um dedicado a uma vítima, demonstram um comportamento pacífico em relação aos seus “crimes”. Essa afirmativa é assegurada pelo segundo personagem importante da trama, Hingus, um psicólogo que analisa o comportamento do policial em sua totalidade, chegando à conclusão que o mesmo não possui nenhum tipo de anormalidade psíquica. Em outras palavras, o policial era inteiramente são e em nenhum momento saiu do seu equilíbrio normal, nem quando cometeu os 14 assassinatos. Portanto, fica claro que não existiu outra finalidade se não o “nobre” desígnio de fazer justiça com as próprias mãos; mãos estas que, diga-se de passagem, estavam calejadas de trabalhar em prol de uma justiça inescrupulosa e ineficiente.

            A justiça é, portanto, trabalho dos bons, dos justos. Raramente uma decisão do justo é contestada, se isso acontecer (como foi proposta nesta análise), se faz necessário entender muito além do que a própria decisão implica, cada caso em seu caso, cada pessoa em sua situação. Mas antes de qualquer conclusão, existem os questionamentos, assim como em todo fluxo, existe seu refluxo e em toda síntese, existe antes uma antítese.

            Como pensadores, não devemos permitir que conceitos sejam petrificados em nossa consciência sem antes colocá-los em dúvida. A questão da justiça abordada no filme serve como exemplo de conceitos que aceitamos com facilidade por parecerem os mais corretos e, estupidamente, criamos uma barreira que limita nosso filosofar.

            Desta forma, encerro a análise citando Harold L. Klawans, que diz:

Aceitamos muitos conceitos porque eles parecem ser as respostas lógicas às nossas questões. Mas será que fizemos as questões certas?”

           
           

                        

28 de abr. de 2011

A invenção da mentira

Existe um filme chamado 'The Invention of Lying' ou, na equivocada tradução para o português, 'O primeiro mentiroso' que descreve a vida de Mark, um homem comum inserido numa sociedade em que as pessoas não mentem, ou seja, são sinceras todo tempo e dizem o que realmente pensam, sem rodeios ou omissões – o que seria um desastre de proporções catastróficas em nossa sociedade.


Entretanto, a vida de Mark irá mudar quando ele, inesperadamente, conta a primeira mentira da história. Isso acontece porque ele chega ao cume de suas aflições e, desesperado, não vê saida para seus problemas de dívidas, depressão e solidão. A invenção da mentira acontece no banco, quando a atendente lhe pergunta quanto ele quer sacar. É neste momento que sua mente processa aquela que seria a primeira mentira já contada. Mark arrisca um valor muito superior àquele que possui, e como a funcionária - assim como todos no filme - não conhece a desconfiança, lhe entrega o dinheiro.

A partir daí, sucedem infindáveis acontecimentos cômicos com o uso da mentira, culminando com a invenção da maior mentira de todas, a que envolveu o mundo inteiro: a existência de 'um homem no céu' que controla a todos e os julga bons ou maus, dependendo de seus comportamentos. Isso aconteceu porque a mãe idosa de Mark estava morrendo e ele, na tentativa de acalmá-la, resolve dizer que não há motivos para temer a morte, pois depois do momento de dor todos ganham uma outra vida, melhor e sem sofrimento, eterna e pacífica. Assim como nós cristãos acreditamos, mas com uma pitada de comédia pela própria carga a que o filme se propõe.

Em suma, é um filme filosoficamente divertido. Destinado a todas as idades e mentalidades - se é que me entendem!

Boa sexta-feira a todos!

P.S.: Acho que estou com dengue.
P.S.2.: Não sei como isso aconteceu, mas me indicaram ao prêmio Top Blog. Acho esse nome particularmente ridículo, mas é um evento importante no meio internético; logo, não darei uma de enjoada e ficarei apenas contente em estar participando!

9 de abr. de 2011

Dica: 72 horas

"Passamos muito tempo tentando organizar o mundo: criamos relógios, calendários e tentamos prever o clima. Mas que parte da nossa vida está realmente sob nosso controle?"
- John Brennan -




72 horas - Um filme sobre a guerra entre um homem que tenta provar a inocência da sua esposa e as convenções burocráticas do sistema criminal dos Estados Unidos.

Neste longa, a esposa de John Brennan (Russell Crowe) é acusada de matar sua chefe, como é de praxe, todas as provas estavam contra ela; entretanto, John se nega a acreditar em tal fato. Em contraposição ao que ele acredita, a justiça declara que sua esposa é culpada e a submete a uma pena de 20 anos em regime fechado.

Para maior desespero de John e de sua esposa Lara, o filho de 6 anos do casal passa a ter problemas na escola e em sociabilidade com outras crianças.

Neste ponto, John vê sua antiga vida perfeita se desmoronando na frente de seus olhos e após três anos de recursos judiciais mal-sucedidos, ele percebe que a única maneira de ter sua esposa de volta é tirando-a da prisão, tarefa nada fácil visto que o sistema criminal de Pittsburgh - cidade americana onde moram - é um dos mais seguros do país. Entretanto, John estuda minuciosamente cada parte do seu plano arriscado com um único objetivo em mente: reestruturar sua família. 




Este é um bom filme para refletir sobre a nossa vida pessoal sendo manipulada pela vida do Estado; suas leis e convenções nos prendem em uma jaula de medo, pois ao mesmo tempo em que nos protegem, nos ameaçam. 


Digo isto porque passou-se a acreditar em evidências criminais e não na palavra das pessoas. Ora, evidências podem ser forjadas e a palavra, supremacia do homem, deveria ser o único referencial para uma vida social saudável. 


Logo, a invenção da mentira nos tirou da zona de conforto. Nem o Estado nos protege, nem nós mesmos, pois ambos podem mentir. 
O que, então, nos protege? O que não mente?

Pensem nisto e bom fim de semana!

28 de fev. de 2011

Segunda-Feira: Ballet, C.S.C e Toddynho

Olá

Hoje é segunda, como todos podem perceber por meio da observação do posicionamento do sol e da lua ou simplesmente pela observação do calendário do seu computador.

Não tive uma manhã, portanto não há o que falar sobre ela. Os meus relatos começarão a partir da tarde, mais especificamente 14h quando eu estava assistindo filmes que aluguei com @alberthmoreira no fim de semana antes de irmos ao cinema assistir mais filmes.

Enfim, assisti 'O ultimo exorcismo' que, na minha opinião, não deveria nem ser chamado de filme e FINALMENTE 'A.I- Inteligência Artificial' que diga-se de passagem, um dos melhores da minha vida! Mas não vou falar desses filmes hoje, pois vou pular logo para quando terminei de chorar até com os créditos de A.I, olhei para o relógio e descobri que estava muito atrasada para o ballet. Detalhe: da minha casa para o centro, onde treino, costuma variar entre 40 a 45 minutos!

Corri. Coque mal acabado, meia calça trocada, sem dinheiro para comer e tudo doido e pela metade, mas cheguei a tempo. (Obs.: Se você também faz ballet e costuma se atrasar , entende o que eu passei. Se você não faz, saiba que numa classe de ballet é melhor você faltar que chegar atrasado, pois além de não poder fazer a aula desde o começo - o que é fundamental- você desconcentrará os alunos e eventualmente o professor também.)

Como eu disse antes, dentro do ônibus ainda esperei 40 minutos para chegar ao meu destino o que me deu tempo suficiente para ler mais um pouco de 'Cidade Sinistra dos Corvos' livro 7/13 de DeS (Desventuras em Série). Neste livro, os órfaos vão para uma cidade chamada C.S.C, uma pista falsa do paradeiro dos seus amigos trigêmios. Lá eles têm como tutores toda uma cidade, o que aumentaria as chances dos órfãos terem tutores que realmente os protejam do seu arqui-inimigo, entretanto a tradição de desventuras, traições e desgostos se repete e, mais uma vez, os desafortunados -porém riquíssimos- órfãos caem nas garras do vilão mais monstruoso da história dos livros: Olaf.



Saindo do ballet, enfrentei mais 40 minutos para chegar em meu 'doce lar', morta de cansada e com fome, pois sai sem dinheiro e não pude comprar nem uma uva após o treino. Sem forças, não li mais nada de DeS na volta e nem consegui dormir. Aguentei 40 longos minutos de paisagens borradas passando pela janela, também dois pedintes com sua tentação de jujubas e outros doces hiper atraentes ao meu estômago faminto, entretanto não tão atraentes ao meu bolso sem grana...

Chegando em casa, comi dignamente bem: Batatas cozidas e temperadas, carne cozida, arroz quentinho, depois mais um lanchinho e não me importei de devorar o lanche logo após o jantar: pão integral e Toddynho ou simplesmente, mas deliciosamete Todinho!

Logo depois de comer, me senti um Sims¹ com sua barrinha de fome reestabelecida! Que sensação maravilhosa!!! *-*

1: Sims do jogo The Sims. Sabem??


Agora cá estou eu, próxima das 23h, porém longe de dormir.


Au Revoir! =*




27 de ago. de 2010

Onde mora o coração - Filme

            Acabo de assistir ao filme 'Onde mora o coração', que conta a estória de uma garota de 17 anos abandonada grávida pela família e namorado, mas que acaba reconstruindo sua vida a duras penas com a ajuda de pessoas excêntricas e maravilhosas.


           Novalee (foto) tem 17 anos, sem família, abandonada pelo namorado e grávida. Qualquer pessoa se desesperaria se estivesse na mesma situação; entretanto, Novalee é uma jovem de muita garra e, acima de tudo, bom coração. Sem dinheiro e sem lugar para ir, Novalee se vê obrigada a morar num famoso supermercado americano: Wal Mart, onde, mais tarde, dá a luz à sua filha Americus. A partir daí, a mídia sensacionalista americana batiza Novalee e Americus de 'Mamãe e bebê Wal-Mart'. Com isso, Novalee conhece novos amigos e passa a fazer parte de uma não-convencional família que irá ajudá-la a se transformar de uma adolescente sem-teto para uma forte mulher de sucesso.

           Esta foi a sinopse, mas o que eu realmente quero fixar é um assunto que o filme também retrata, mas que acaba sendo de forma bem menos aparente, por ser um drama/romance. Falo do perdão, tão em falta nesses tempos em que vivemos. No filme, a protagonista, abandonada pela mãe e pelo namorado, acaba perdoando ambos pelas falhas do passado; entretanto, por mais sincero e emocionado que tenha sido o perdão concedido, a mãe da garota não consegue abdicar seus antigos hábitos como a mesquinhez e a covardia, abandonando-a novamente e levando todo o seu dinheiro. -Creio que o escritor do filme quis mostrar que, por mais que sejamos amáveis, sempre existirão aquelas pessoas irrecuperáveis, cujo coração já não conhece mais o sentimento, por estar muito acostumado à ambição e outras distorções de valores-

          Além do perdão, existe a capacidade de superação ou resiliência, que é muito bem ilustrada na figura de uma adolescente americana, pobre e grávida que se transforma em uma fotógrafa de prestígio e sucesso.

          Desta forma, convido a todos a assistir este filme, que não é um clássico ou uma memorável super-produção, mas que vale muito a pena, pois nos ensina - ou melhor - nos relembra, antigos valores que deixamos cair pelo caminho.

P.S: O número cinco (que me persegue há muitos anos) tem uma importância especial no filme, o que me fez gostar mais ainda de assisti-lo. 

Espero que tenham se interessado e assistam ao filme, garanto que não vão se arrepender. Ah.... e voltem aqui para contar como foi a experiência! ; )

-Bom final de semana!-

(Só para constar, hoje estava nascendo uma pessoa que amo muito: @alberthmoreira, poderia fazer um post, mas isso seria muito, muito, muito pouco perto do que ele realmente merece, então, me limito a dizer que quero muito te ver ainda hoje. Te amo.)


17 de jun. de 2010

Camila

Camila, Curta produzido em 2009 na conclusão do curso de cinema da INCENA PRODUÇÕES.
Direção: Alberth Moreira




PARTE 1







PARTE 2


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20 de out. de 2011

Análise Filosófica do filme “Duas Faces da Lei” por Pollyana Cascaes



         
            Sinopse: Após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer.

            Antes de escrever sobre “Duas faces da lei”, li algumas críticas e notei que a opinião era comum: Bons atores, porém roteiro fraco. Entretanto, os autores dessas críticas não avaliaram o teor filosófico do filme em questão e, deste modo, não perceberam a trama que se formava por trás das cenas e dos diálogos. Trata-se, portanto, de um sutil – porém consistente- questionamento filosófico acerca da justiça. Questões como: ‘O que é a justiça’ e ‘Como é formada e a quem é resguardado o dever de garanti-la’ são perguntas chaves para entender o desenrolar do filme e, em conseqüência, reavaliar nossos conceitos muitas vezes petrificados a respeito do que nos envolve.

Desta forma, a fim de embasar teoricamente a minha análise de “Duas faces da lei”, busco auxílio em um autor clássico da filosofia, Voltaire, que em 1764 lança o primeiro “livro de bolso” da história, cuja finalidade era incentivar a leitura das massas. Propositalmente, o livro era um dicionário filosófico, em que Voltaire questionava alguns temas pertinentes na época – não surpreendentemente válidos até hoje – tais como o amor, o bem, Deus, Inferno, Guerra, Democracia, Sonhos, Orgulho, Liberdade, Virtude e, é claro, a Moral e a Justiça.  Portanto, diz Voltaire:

             “A moral é uma, vem de Deus; os dogmas são diferentes, vêm de nós”.

            Nesta citação, entende-se “moral” como a capacidade de distinguir o certo do errado, o justo do injusto, o bem do mal e, uma vez feito, a sabedoria de escolher sempre o certo, justo e bom. Mais adiante, no mesmo livro, Voltaire discorda de Le Beau quando o mesmo diz:

“Os cristãos tinham uma moral; mas os pagãos não tinham nenhuma”

Decepcionado, Voltaire replica:         

“Ah! Senhor Le Beau, onde aprendeu essa tolice? Se estais certo, que vem então a ser a moral de Sócrates, de Zaleucos, de Charondas, de Cícero, de Epicteto, de Marco Antônio?

E Voltaire reitera:

“Há somente uma moral, assim como há somente uma geometria. Mas a maioria dos homens ignora a geometria. A moral, entretanto, jamais pode ser ignorada porque esta provém do coração.”

            Agora temos em mãos quatro citações. Ao ler superficialmente a primeira delas, pode-se cair no erro de acreditar de Voltaire defendia a moral Cristã, neste sentido, Le Beau serve como prova de que Voltaire reprova a moral Cristã e, além disso, defende uma moral completamente nova a época: a moral do coração.

            O que seria, então, esta tal moral a que Voltaire se referia? Voltaire não acreditava em conhecimento inato, portanto Deus não “colocou em nós” a capacidade de distinguir o justo do injusto. Voltaire também não aprovava os dogmas, portanto não é possível afirmar que os homens conhecem a moral a partir das leis que os regem. Pelo contrário, Voltaire já “plantava” o pensamento de que os dogmas (religiosos, principalmente) aprisionavam o homem livre.

            A moral do coração, portanto, é a concepção única do bem que os homens possuem. O saber limpo e esclarecido que rege o pensamento do homem de bem. O discernimento, a luz e, em outras palavras, a procura incessante de todos os filósofos: a razão.

            Mas o que tudo isso tem a ver com “Duas faces da lei”? No filme, um policial que serviu ao Estado de Nova York durante 30 anos, analisa seu histórico na polícia e se depara com 30 anos de uma burocracia legislativa que, por ser tão falha e corruptível, pune os inocentes e premia os culpados. O Policial percebe, então, que a noção deturpada de justiça acaba passando despercebida por aqueles que acreditam cegamente no poder que o Estado possui de garanti-la. Mas diferente da massa politicamente neutra, o policial David Fisk não acredita mais no Estado e resolve restaurar a justiça por conta própria.

            Ele conta, no filme, como e porque eliminou assassinos, estupradores, cafetões e demais agentes da desordem social; dividindo, assim, a opinião de quem assiste: Será que o fato de estar cumprindo sozinho o papel do Estado o torna herói ou vilão?

            Com a finalidade de responder a esta questão, o próprio filme apresenta dois personagens que, na trama, são essenciais para encaminhar o espectador a uma análise mais aprofundada do questionamento. O primeiro personagem é o próprio David Fisk, o policial justiceiro, que compõe um poema para cada vítima justificando o assassinato da mesma. A exemplo temos a décima vítima, um cafetão violento e viciado em drogas, o poema deixado junto ao seu corpo inerte, dizia:

“Ele negocia o pecado e a carne, o mercador
Ele colhe a fruta no auge do seu frescor
Agora ninguém mais vai espancar suas florais
Seu coração parou, ele não respira mais.”

            Este poema e mais treze escritos pelo policial, cada um dedicado a uma vítima, demonstram um comportamento pacífico em relação aos seus “crimes”. Essa afirmativa é assegurada pelo segundo personagem importante da trama, Hingus, um psicólogo que analisa o comportamento do policial em sua totalidade, chegando à conclusão que o mesmo não possui nenhum tipo de anormalidade psíquica. Em outras palavras, o policial era inteiramente são e em nenhum momento saiu do seu equilíbrio normal, nem quando cometeu os 14 assassinatos. Portanto, fica claro que não existiu outra finalidade se não o “nobre” desígnio de fazer justiça com as próprias mãos; mãos estas que, diga-se de passagem, estavam calejadas de trabalhar em prol de uma justiça inescrupulosa e ineficiente.

            A justiça é, portanto, trabalho dos bons, dos justos. Raramente uma decisão do justo é contestada, se isso acontecer (como foi proposta nesta análise), se faz necessário entender muito além do que a própria decisão implica, cada caso em seu caso, cada pessoa em sua situação. Mas antes de qualquer conclusão, existem os questionamentos, assim como em todo fluxo, existe seu refluxo e em toda síntese, existe antes uma antítese.

            Como pensadores, não devemos permitir que conceitos sejam petrificados em nossa consciência sem antes colocá-los em dúvida. A questão da justiça abordada no filme serve como exemplo de conceitos que aceitamos com facilidade por parecerem os mais corretos e, estupidamente, criamos uma barreira que limita nosso filosofar.

            Desta forma, encerro a análise citando Harold L. Klawans, que diz:

Aceitamos muitos conceitos porque eles parecem ser as respostas lógicas às nossas questões. Mas será que fizemos as questões certas?”

           
           

                        

28 de abr. de 2011

A invenção da mentira

Existe um filme chamado 'The Invention of Lying' ou, na equivocada tradução para o português, 'O primeiro mentiroso' que descreve a vida de Mark, um homem comum inserido numa sociedade em que as pessoas não mentem, ou seja, são sinceras todo tempo e dizem o que realmente pensam, sem rodeios ou omissões – o que seria um desastre de proporções catastróficas em nossa sociedade.


Entretanto, a vida de Mark irá mudar quando ele, inesperadamente, conta a primeira mentira da história. Isso acontece porque ele chega ao cume de suas aflições e, desesperado, não vê saida para seus problemas de dívidas, depressão e solidão. A invenção da mentira acontece no banco, quando a atendente lhe pergunta quanto ele quer sacar. É neste momento que sua mente processa aquela que seria a primeira mentira já contada. Mark arrisca um valor muito superior àquele que possui, e como a funcionária - assim como todos no filme - não conhece a desconfiança, lhe entrega o dinheiro.

A partir daí, sucedem infindáveis acontecimentos cômicos com o uso da mentira, culminando com a invenção da maior mentira de todas, a que envolveu o mundo inteiro: a existência de 'um homem no céu' que controla a todos e os julga bons ou maus, dependendo de seus comportamentos. Isso aconteceu porque a mãe idosa de Mark estava morrendo e ele, na tentativa de acalmá-la, resolve dizer que não há motivos para temer a morte, pois depois do momento de dor todos ganham uma outra vida, melhor e sem sofrimento, eterna e pacífica. Assim como nós cristãos acreditamos, mas com uma pitada de comédia pela própria carga a que o filme se propõe.

Em suma, é um filme filosoficamente divertido. Destinado a todas as idades e mentalidades - se é que me entendem!

Boa sexta-feira a todos!

P.S.: Acho que estou com dengue.
P.S.2.: Não sei como isso aconteceu, mas me indicaram ao prêmio Top Blog. Acho esse nome particularmente ridículo, mas é um evento importante no meio internético; logo, não darei uma de enjoada e ficarei apenas contente em estar participando!

9 de abr. de 2011

Dica: 72 horas

"Passamos muito tempo tentando organizar o mundo: criamos relógios, calendários e tentamos prever o clima. Mas que parte da nossa vida está realmente sob nosso controle?"
- John Brennan -




72 horas - Um filme sobre a guerra entre um homem que tenta provar a inocência da sua esposa e as convenções burocráticas do sistema criminal dos Estados Unidos.

Neste longa, a esposa de John Brennan (Russell Crowe) é acusada de matar sua chefe, como é de praxe, todas as provas estavam contra ela; entretanto, John se nega a acreditar em tal fato. Em contraposição ao que ele acredita, a justiça declara que sua esposa é culpada e a submete a uma pena de 20 anos em regime fechado.

Para maior desespero de John e de sua esposa Lara, o filho de 6 anos do casal passa a ter problemas na escola e em sociabilidade com outras crianças.

Neste ponto, John vê sua antiga vida perfeita se desmoronando na frente de seus olhos e após três anos de recursos judiciais mal-sucedidos, ele percebe que a única maneira de ter sua esposa de volta é tirando-a da prisão, tarefa nada fácil visto que o sistema criminal de Pittsburgh - cidade americana onde moram - é um dos mais seguros do país. Entretanto, John estuda minuciosamente cada parte do seu plano arriscado com um único objetivo em mente: reestruturar sua família. 




Este é um bom filme para refletir sobre a nossa vida pessoal sendo manipulada pela vida do Estado; suas leis e convenções nos prendem em uma jaula de medo, pois ao mesmo tempo em que nos protegem, nos ameaçam. 


Digo isto porque passou-se a acreditar em evidências criminais e não na palavra das pessoas. Ora, evidências podem ser forjadas e a palavra, supremacia do homem, deveria ser o único referencial para uma vida social saudável. 


Logo, a invenção da mentira nos tirou da zona de conforto. Nem o Estado nos protege, nem nós mesmos, pois ambos podem mentir. 
O que, então, nos protege? O que não mente?

Pensem nisto e bom fim de semana!

28 de fev. de 2011

Segunda-Feira: Ballet, C.S.C e Toddynho

Olá

Hoje é segunda, como todos podem perceber por meio da observação do posicionamento do sol e da lua ou simplesmente pela observação do calendário do seu computador.

Não tive uma manhã, portanto não há o que falar sobre ela. Os meus relatos começarão a partir da tarde, mais especificamente 14h quando eu estava assistindo filmes que aluguei com @alberthmoreira no fim de semana antes de irmos ao cinema assistir mais filmes.

Enfim, assisti 'O ultimo exorcismo' que, na minha opinião, não deveria nem ser chamado de filme e FINALMENTE 'A.I- Inteligência Artificial' que diga-se de passagem, um dos melhores da minha vida! Mas não vou falar desses filmes hoje, pois vou pular logo para quando terminei de chorar até com os créditos de A.I, olhei para o relógio e descobri que estava muito atrasada para o ballet. Detalhe: da minha casa para o centro, onde treino, costuma variar entre 40 a 45 minutos!

Corri. Coque mal acabado, meia calça trocada, sem dinheiro para comer e tudo doido e pela metade, mas cheguei a tempo. (Obs.: Se você também faz ballet e costuma se atrasar , entende o que eu passei. Se você não faz, saiba que numa classe de ballet é melhor você faltar que chegar atrasado, pois além de não poder fazer a aula desde o começo - o que é fundamental- você desconcentrará os alunos e eventualmente o professor também.)

Como eu disse antes, dentro do ônibus ainda esperei 40 minutos para chegar ao meu destino o que me deu tempo suficiente para ler mais um pouco de 'Cidade Sinistra dos Corvos' livro 7/13 de DeS (Desventuras em Série). Neste livro, os órfaos vão para uma cidade chamada C.S.C, uma pista falsa do paradeiro dos seus amigos trigêmios. Lá eles têm como tutores toda uma cidade, o que aumentaria as chances dos órfãos terem tutores que realmente os protejam do seu arqui-inimigo, entretanto a tradição de desventuras, traições e desgostos se repete e, mais uma vez, os desafortunados -porém riquíssimos- órfãos caem nas garras do vilão mais monstruoso da história dos livros: Olaf.



Saindo do ballet, enfrentei mais 40 minutos para chegar em meu 'doce lar', morta de cansada e com fome, pois sai sem dinheiro e não pude comprar nem uma uva após o treino. Sem forças, não li mais nada de DeS na volta e nem consegui dormir. Aguentei 40 longos minutos de paisagens borradas passando pela janela, também dois pedintes com sua tentação de jujubas e outros doces hiper atraentes ao meu estômago faminto, entretanto não tão atraentes ao meu bolso sem grana...

Chegando em casa, comi dignamente bem: Batatas cozidas e temperadas, carne cozida, arroz quentinho, depois mais um lanchinho e não me importei de devorar o lanche logo após o jantar: pão integral e Toddynho ou simplesmente, mas deliciosamete Todinho!

Logo depois de comer, me senti um Sims¹ com sua barrinha de fome reestabelecida! Que sensação maravilhosa!!! *-*

1: Sims do jogo The Sims. Sabem??


Agora cá estou eu, próxima das 23h, porém longe de dormir.


Au Revoir! =*




27 de ago. de 2010

Onde mora o coração - Filme

            Acabo de assistir ao filme 'Onde mora o coração', que conta a estória de uma garota de 17 anos abandonada grávida pela família e namorado, mas que acaba reconstruindo sua vida a duras penas com a ajuda de pessoas excêntricas e maravilhosas.


           Novalee (foto) tem 17 anos, sem família, abandonada pelo namorado e grávida. Qualquer pessoa se desesperaria se estivesse na mesma situação; entretanto, Novalee é uma jovem de muita garra e, acima de tudo, bom coração. Sem dinheiro e sem lugar para ir, Novalee se vê obrigada a morar num famoso supermercado americano: Wal Mart, onde, mais tarde, dá a luz à sua filha Americus. A partir daí, a mídia sensacionalista americana batiza Novalee e Americus de 'Mamãe e bebê Wal-Mart'. Com isso, Novalee conhece novos amigos e passa a fazer parte de uma não-convencional família que irá ajudá-la a se transformar de uma adolescente sem-teto para uma forte mulher de sucesso.

           Esta foi a sinopse, mas o que eu realmente quero fixar é um assunto que o filme também retrata, mas que acaba sendo de forma bem menos aparente, por ser um drama/romance. Falo do perdão, tão em falta nesses tempos em que vivemos. No filme, a protagonista, abandonada pela mãe e pelo namorado, acaba perdoando ambos pelas falhas do passado; entretanto, por mais sincero e emocionado que tenha sido o perdão concedido, a mãe da garota não consegue abdicar seus antigos hábitos como a mesquinhez e a covardia, abandonando-a novamente e levando todo o seu dinheiro. -Creio que o escritor do filme quis mostrar que, por mais que sejamos amáveis, sempre existirão aquelas pessoas irrecuperáveis, cujo coração já não conhece mais o sentimento, por estar muito acostumado à ambição e outras distorções de valores-

          Além do perdão, existe a capacidade de superação ou resiliência, que é muito bem ilustrada na figura de uma adolescente americana, pobre e grávida que se transforma em uma fotógrafa de prestígio e sucesso.

          Desta forma, convido a todos a assistir este filme, que não é um clássico ou uma memorável super-produção, mas que vale muito a pena, pois nos ensina - ou melhor - nos relembra, antigos valores que deixamos cair pelo caminho.

P.S: O número cinco (que me persegue há muitos anos) tem uma importância especial no filme, o que me fez gostar mais ainda de assisti-lo. 

Espero que tenham se interessado e assistam ao filme, garanto que não vão se arrepender. Ah.... e voltem aqui para contar como foi a experiência! ; )

-Bom final de semana!-

(Só para constar, hoje estava nascendo uma pessoa que amo muito: @alberthmoreira, poderia fazer um post, mas isso seria muito, muito, muito pouco perto do que ele realmente merece, então, me limito a dizer que quero muito te ver ainda hoje. Te amo.)


17 de jun. de 2010

Camila

Camila, Curta produzido em 2009 na conclusão do curso de cinema da INCENA PRODUÇÕES.
Direção: Alberth Moreira




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