27 de out de 2011

Meus ingredientes para a felicidade

Meus ingredientes para a felicidade: Liberdade, Força e Amor.

Liberdade porque com ela posso respirar ares dos quais jamais respiraria se não fosse livre, porque posso andar solitária pelas ruas do mundo; mas também posso ter ao meu lado pessoas igualmente livres para que andem comigo por um trecho do caminho ou por toda a minha vida. Posso buscar conhecimento, provar sabores, cativar e deixar que me cativem, abrir os olhos ao mundo sem receio de cegá-los, tocar as flores e sentir seu aroma sem necessitar arrancá-las, posso ter menos e SER mais, descobrir quem sou, sorrir com facilidade -chorar também- posso viver intensamente. 
No entanto, preciso também de Força para não sucumbir aos apelos da arrogância, do desprezo, da futilidade  e das mentiras. Se um dia eu perder a força, perderia tudo.
Por fim, preciso de Amor porque é necessário dar sentido a tudo que se faz na vida. O que seria, então, o maior sentido se não aquilo que nos move para todas as direções? 

Isso é tudo que preciso. 

20 de out de 2011

Análise Filosófica do filme “Duas Faces da Lei” por Pollyana Cascaes



         
            Sinopse: Após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer.

            Antes de escrever sobre “Duas faces da lei”, li algumas críticas e notei que a opinião era comum: Bons atores, porém roteiro fraco. Entretanto, os autores dessas críticas não avaliaram o teor filosófico do filme em questão e, deste modo, não perceberam a trama que se formava por trás das cenas e dos diálogos. Trata-se, portanto, de um sutil – porém consistente- questionamento filosófico acerca da justiça. Questões como: ‘O que é a justiça’ e ‘Como é formada e a quem é resguardado o dever de garanti-la’ são perguntas chaves para entender o desenrolar do filme e, em conseqüência, reavaliar nossos conceitos muitas vezes petrificados a respeito do que nos envolve.

Desta forma, a fim de embasar teoricamente a minha análise de “Duas faces da lei”, busco auxílio em um autor clássico da filosofia, Voltaire, que em 1764 lança o primeiro “livro de bolso” da história, cuja finalidade era incentivar a leitura das massas. Propositalmente, o livro era um dicionário filosófico, em que Voltaire questionava alguns temas pertinentes na época – não surpreendentemente válidos até hoje – tais como o amor, o bem, Deus, Inferno, Guerra, Democracia, Sonhos, Orgulho, Liberdade, Virtude e, é claro, a Moral e a Justiça.  Portanto, diz Voltaire:

             “A moral é uma, vem de Deus; os dogmas são diferentes, vêm de nós”.

            Nesta citação, entende-se “moral” como a capacidade de distinguir o certo do errado, o justo do injusto, o bem do mal e, uma vez feito, a sabedoria de escolher sempre o certo, justo e bom. Mais adiante, no mesmo livro, Voltaire discorda de Le Beau quando o mesmo diz:

“Os cristãos tinham uma moral; mas os pagãos não tinham nenhuma”

Decepcionado, Voltaire replica:         

“Ah! Senhor Le Beau, onde aprendeu essa tolice? Se estais certo, que vem então a ser a moral de Sócrates, de Zaleucos, de Charondas, de Cícero, de Epicteto, de Marco Antônio?

E Voltaire reitera:

“Há somente uma moral, assim como há somente uma geometria. Mas a maioria dos homens ignora a geometria. A moral, entretanto, jamais pode ser ignorada porque esta provém do coração.”

            Agora temos em mãos quatro citações. Ao ler superficialmente a primeira delas, pode-se cair no erro de acreditar de Voltaire defendia a moral Cristã, neste sentido, Le Beau serve como prova de que Voltaire reprova a moral Cristã e, além disso, defende uma moral completamente nova a época: a moral do coração.

            O que seria, então, esta tal moral a que Voltaire se referia? Voltaire não acreditava em conhecimento inato, portanto Deus não “colocou em nós” a capacidade de distinguir o justo do injusto. Voltaire também não aprovava os dogmas, portanto não é possível afirmar que os homens conhecem a moral a partir das leis que os regem. Pelo contrário, Voltaire já “plantava” o pensamento de que os dogmas (religiosos, principalmente) aprisionavam o homem livre.

            A moral do coração, portanto, é a concepção única do bem que os homens possuem. O saber limpo e esclarecido que rege o pensamento do homem de bem. O discernimento, a luz e, em outras palavras, a procura incessante de todos os filósofos: a razão.

            Mas o que tudo isso tem a ver com “Duas faces da lei”? No filme, um policial que serviu ao Estado de Nova York durante 30 anos, analisa seu histórico na polícia e se depara com 30 anos de uma burocracia legislativa que, por ser tão falha e corruptível, pune os inocentes e premia os culpados. O Policial percebe, então, que a noção deturpada de justiça acaba passando despercebida por aqueles que acreditam cegamente no poder que o Estado possui de garanti-la. Mas diferente da massa politicamente neutra, o policial David Fisk não acredita mais no Estado e resolve restaurar a justiça por conta própria.

            Ele conta, no filme, como e porque eliminou assassinos, estupradores, cafetões e demais agentes da desordem social; dividindo, assim, a opinião de quem assiste: Será que o fato de estar cumprindo sozinho o papel do Estado o torna herói ou vilão?

            Com a finalidade de responder a esta questão, o próprio filme apresenta dois personagens que, na trama, são essenciais para encaminhar o espectador a uma análise mais aprofundada do questionamento. O primeiro personagem é o próprio David Fisk, o policial justiceiro, que compõe um poema para cada vítima justificando o assassinato da mesma. A exemplo temos a décima vítima, um cafetão violento e viciado em drogas, o poema deixado junto ao seu corpo inerte, dizia:

“Ele negocia o pecado e a carne, o mercador
Ele colhe a fruta no auge do seu frescor
Agora ninguém mais vai espancar suas florais
Seu coração parou, ele não respira mais.”

            Este poema e mais treze escritos pelo policial, cada um dedicado a uma vítima, demonstram um comportamento pacífico em relação aos seus “crimes”. Essa afirmativa é assegurada pelo segundo personagem importante da trama, Hingus, um psicólogo que analisa o comportamento do policial em sua totalidade, chegando à conclusão que o mesmo não possui nenhum tipo de anormalidade psíquica. Em outras palavras, o policial era inteiramente são e em nenhum momento saiu do seu equilíbrio normal, nem quando cometeu os 14 assassinatos. Portanto, fica claro que não existiu outra finalidade se não o “nobre” desígnio de fazer justiça com as próprias mãos; mãos estas que, diga-se de passagem, estavam calejadas de trabalhar em prol de uma justiça inescrupulosa e ineficiente.

            A justiça é, portanto, trabalho dos bons, dos justos. Raramente uma decisão do justo é contestada, se isso acontecer (como foi proposta nesta análise), se faz necessário entender muito além do que a própria decisão implica, cada caso em seu caso, cada pessoa em sua situação. Mas antes de qualquer conclusão, existem os questionamentos, assim como em todo fluxo, existe seu refluxo e em toda síntese, existe antes uma antítese.

            Como pensadores, não devemos permitir que conceitos sejam petrificados em nossa consciência sem antes colocá-los em dúvida. A questão da justiça abordada no filme serve como exemplo de conceitos que aceitamos com facilidade por parecerem os mais corretos e, estupidamente, criamos uma barreira que limita nosso filosofar.

            Desta forma, encerro a análise citando Harold L. Klawans, que diz:

Aceitamos muitos conceitos porque eles parecem ser as respostas lógicas às nossas questões. Mas será que fizemos as questões certas?”

           
           

                        

27 de out de 2011

Meus ingredientes para a felicidade

Meus ingredientes para a felicidade: Liberdade, Força e Amor.

Liberdade porque com ela posso respirar ares dos quais jamais respiraria se não fosse livre, porque posso andar solitária pelas ruas do mundo; mas também posso ter ao meu lado pessoas igualmente livres para que andem comigo por um trecho do caminho ou por toda a minha vida. Posso buscar conhecimento, provar sabores, cativar e deixar que me cativem, abrir os olhos ao mundo sem receio de cegá-los, tocar as flores e sentir seu aroma sem necessitar arrancá-las, posso ter menos e SER mais, descobrir quem sou, sorrir com facilidade -chorar também- posso viver intensamente. 
No entanto, preciso também de Força para não sucumbir aos apelos da arrogância, do desprezo, da futilidade  e das mentiras. Se um dia eu perder a força, perderia tudo.
Por fim, preciso de Amor porque é necessário dar sentido a tudo que se faz na vida. O que seria, então, o maior sentido se não aquilo que nos move para todas as direções? 

Isso é tudo que preciso. 

20 de out de 2011

Análise Filosófica do filme “Duas Faces da Lei” por Pollyana Cascaes



         
            Sinopse: Após 30 anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam estar aposentados, mas não estão. Eles são chamados para investigar o assassinato de um conhecido cafetão, que parece ter ligação com um caso envolvido com eles há alguns anos atrás. Como no crime original a vítima é um criminoso suspeito, cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer.

            Antes de escrever sobre “Duas faces da lei”, li algumas críticas e notei que a opinião era comum: Bons atores, porém roteiro fraco. Entretanto, os autores dessas críticas não avaliaram o teor filosófico do filme em questão e, deste modo, não perceberam a trama que se formava por trás das cenas e dos diálogos. Trata-se, portanto, de um sutil – porém consistente- questionamento filosófico acerca da justiça. Questões como: ‘O que é a justiça’ e ‘Como é formada e a quem é resguardado o dever de garanti-la’ são perguntas chaves para entender o desenrolar do filme e, em conseqüência, reavaliar nossos conceitos muitas vezes petrificados a respeito do que nos envolve.

Desta forma, a fim de embasar teoricamente a minha análise de “Duas faces da lei”, busco auxílio em um autor clássico da filosofia, Voltaire, que em 1764 lança o primeiro “livro de bolso” da história, cuja finalidade era incentivar a leitura das massas. Propositalmente, o livro era um dicionário filosófico, em que Voltaire questionava alguns temas pertinentes na época – não surpreendentemente válidos até hoje – tais como o amor, o bem, Deus, Inferno, Guerra, Democracia, Sonhos, Orgulho, Liberdade, Virtude e, é claro, a Moral e a Justiça.  Portanto, diz Voltaire:

             “A moral é uma, vem de Deus; os dogmas são diferentes, vêm de nós”.

            Nesta citação, entende-se “moral” como a capacidade de distinguir o certo do errado, o justo do injusto, o bem do mal e, uma vez feito, a sabedoria de escolher sempre o certo, justo e bom. Mais adiante, no mesmo livro, Voltaire discorda de Le Beau quando o mesmo diz:

“Os cristãos tinham uma moral; mas os pagãos não tinham nenhuma”

Decepcionado, Voltaire replica:         

“Ah! Senhor Le Beau, onde aprendeu essa tolice? Se estais certo, que vem então a ser a moral de Sócrates, de Zaleucos, de Charondas, de Cícero, de Epicteto, de Marco Antônio?

E Voltaire reitera:

“Há somente uma moral, assim como há somente uma geometria. Mas a maioria dos homens ignora a geometria. A moral, entretanto, jamais pode ser ignorada porque esta provém do coração.”

            Agora temos em mãos quatro citações. Ao ler superficialmente a primeira delas, pode-se cair no erro de acreditar de Voltaire defendia a moral Cristã, neste sentido, Le Beau serve como prova de que Voltaire reprova a moral Cristã e, além disso, defende uma moral completamente nova a época: a moral do coração.

            O que seria, então, esta tal moral a que Voltaire se referia? Voltaire não acreditava em conhecimento inato, portanto Deus não “colocou em nós” a capacidade de distinguir o justo do injusto. Voltaire também não aprovava os dogmas, portanto não é possível afirmar que os homens conhecem a moral a partir das leis que os regem. Pelo contrário, Voltaire já “plantava” o pensamento de que os dogmas (religiosos, principalmente) aprisionavam o homem livre.

            A moral do coração, portanto, é a concepção única do bem que os homens possuem. O saber limpo e esclarecido que rege o pensamento do homem de bem. O discernimento, a luz e, em outras palavras, a procura incessante de todos os filósofos: a razão.

            Mas o que tudo isso tem a ver com “Duas faces da lei”? No filme, um policial que serviu ao Estado de Nova York durante 30 anos, analisa seu histórico na polícia e se depara com 30 anos de uma burocracia legislativa que, por ser tão falha e corruptível, pune os inocentes e premia os culpados. O Policial percebe, então, que a noção deturpada de justiça acaba passando despercebida por aqueles que acreditam cegamente no poder que o Estado possui de garanti-la. Mas diferente da massa politicamente neutra, o policial David Fisk não acredita mais no Estado e resolve restaurar a justiça por conta própria.

            Ele conta, no filme, como e porque eliminou assassinos, estupradores, cafetões e demais agentes da desordem social; dividindo, assim, a opinião de quem assiste: Será que o fato de estar cumprindo sozinho o papel do Estado o torna herói ou vilão?

            Com a finalidade de responder a esta questão, o próprio filme apresenta dois personagens que, na trama, são essenciais para encaminhar o espectador a uma análise mais aprofundada do questionamento. O primeiro personagem é o próprio David Fisk, o policial justiceiro, que compõe um poema para cada vítima justificando o assassinato da mesma. A exemplo temos a décima vítima, um cafetão violento e viciado em drogas, o poema deixado junto ao seu corpo inerte, dizia:

“Ele negocia o pecado e a carne, o mercador
Ele colhe a fruta no auge do seu frescor
Agora ninguém mais vai espancar suas florais
Seu coração parou, ele não respira mais.”

            Este poema e mais treze escritos pelo policial, cada um dedicado a uma vítima, demonstram um comportamento pacífico em relação aos seus “crimes”. Essa afirmativa é assegurada pelo segundo personagem importante da trama, Hingus, um psicólogo que analisa o comportamento do policial em sua totalidade, chegando à conclusão que o mesmo não possui nenhum tipo de anormalidade psíquica. Em outras palavras, o policial era inteiramente são e em nenhum momento saiu do seu equilíbrio normal, nem quando cometeu os 14 assassinatos. Portanto, fica claro que não existiu outra finalidade se não o “nobre” desígnio de fazer justiça com as próprias mãos; mãos estas que, diga-se de passagem, estavam calejadas de trabalhar em prol de uma justiça inescrupulosa e ineficiente.

            A justiça é, portanto, trabalho dos bons, dos justos. Raramente uma decisão do justo é contestada, se isso acontecer (como foi proposta nesta análise), se faz necessário entender muito além do que a própria decisão implica, cada caso em seu caso, cada pessoa em sua situação. Mas antes de qualquer conclusão, existem os questionamentos, assim como em todo fluxo, existe seu refluxo e em toda síntese, existe antes uma antítese.

            Como pensadores, não devemos permitir que conceitos sejam petrificados em nossa consciência sem antes colocá-los em dúvida. A questão da justiça abordada no filme serve como exemplo de conceitos que aceitamos com facilidade por parecerem os mais corretos e, estupidamente, criamos uma barreira que limita nosso filosofar.

            Desta forma, encerro a análise citando Harold L. Klawans, que diz:

Aceitamos muitos conceitos porque eles parecem ser as respostas lógicas às nossas questões. Mas será que fizemos as questões certas?”