12 de nov de 2010

Segundo Sol - Cássia Eller

Mentalmente preparei um post sobre os últimos dias e tudo de novo que eles me trouxeram, entretanto, durante um jantar com Alberth, ouvimos essa música e ela me fez esquecer todo o texto que eu tinha preparado.

Isso é tudo. Curtam a música.



6 de nov de 2010

A noite da Aurora


    Dia desses acordei mais cedo propositalmente para ver a aurora romper, levantei, borrifei água nos olhos e olhei o relógio da cozinha que marcava 4 horas da manhã. Pensei: “Cedo demais.”

   Voltei ao quarto e deitei a olhar para o teto na cama ainda quente, na mesma hora, comecei organizar na minha cabeça tudo que eu tinha para fazer neste dia que começara: pensei na minha atividade de matemática, no meu trabalho de filosofia, na apresentação do projeto para a mostra científica, pensei logo depois nos meus problemas familiares... de repente, parei num susto enorme e maquinalmente levantei da cama, um estranho frio entrara pela janela e penetrara-me a alma, pensei: Será que eu não consigo pensar em coisas boas? Só ocupo minha cabeça com coisas que eu tenho a fazer para ganhar uma nota, elogios ou ganhar de outras pessoas? Só penso em ganhar? Será que eu não tenho nada a oferecer a ninguém?

   Pensei também: “Certo, se é assim, vou pensar em algo bom”. Como já estava em pé, dei o primeiro passo adentrando o quarto quase escuro, cantando junto com o ritmo dos meus passos uma música de Toquinho  chamada “O caderno”. Diz ela: “Sou eu que vou seguir você do primeiro rabisco até o bê-a-bá, em todos os momentos coloridos vou estar, a casa, a montanha, duas nuvens no céu e um sol a sorrir no papel...” Mais que rápido aquele frio na espinha penetrou-me novamente, parei de cantar e de andar, pois agora o frio pareceu-me mais cortante e desolador! Me vi sozinha num quarto semi-escuro, cantando uma música que deveria ser feliz, se não fossem as estranhas paredes me pareciam gritar: “Você precisa mesmo se concentrar para produzir algo bom?” Aquilo me entristeceu, deu vontade de ter um alcapão no meu quarto que me levasse até bem longe, onde eu pudesse me cobrir de tristeza e covardia por não pensar  em nada bom, positivo e saudável. Foi quando, inesperadamente, vi os primeiros raios avermelhados arruinarem a negra noite majestosamente e invadirem meu quarto, tingindo-o de uma cor que eu batizei mais tarde de 'laranja celeste'.

   E a minha esperada aurora estava rompendo a noite, era talvez o momento mais emocionante da minha curta vida. Não só pelo cenário ao qual agora eu era integrante, mas sim por me dar conta de que naquele momento eu não pensava mais em nada. Só em dedicar aquele momento a alguém. Então falei baixinho: "Obrigada, Alberth, por me ensinar a silenciar e a ouvir o que minha alma tem a dizer. Eu te amo e aprendo muito contigo; Portanto, esse momento é para você, desejo-lhe um bom dia."

Publicado no Recanto das Letras em 08/05/2007
Modificado em 06/11/2010 e o sentimento continua o mesmo.

12 de nov de 2010

Segundo Sol - Cássia Eller

Mentalmente preparei um post sobre os últimos dias e tudo de novo que eles me trouxeram, entretanto, durante um jantar com Alberth, ouvimos essa música e ela me fez esquecer todo o texto que eu tinha preparado.

Isso é tudo. Curtam a música.



6 de nov de 2010

A noite da Aurora


    Dia desses acordei mais cedo propositalmente para ver a aurora romper, levantei, borrifei água nos olhos e olhei o relógio da cozinha que marcava 4 horas da manhã. Pensei: “Cedo demais.”

   Voltei ao quarto e deitei a olhar para o teto na cama ainda quente, na mesma hora, comecei organizar na minha cabeça tudo que eu tinha para fazer neste dia que começara: pensei na minha atividade de matemática, no meu trabalho de filosofia, na apresentação do projeto para a mostra científica, pensei logo depois nos meus problemas familiares... de repente, parei num susto enorme e maquinalmente levantei da cama, um estranho frio entrara pela janela e penetrara-me a alma, pensei: Será que eu não consigo pensar em coisas boas? Só ocupo minha cabeça com coisas que eu tenho a fazer para ganhar uma nota, elogios ou ganhar de outras pessoas? Só penso em ganhar? Será que eu não tenho nada a oferecer a ninguém?

   Pensei também: “Certo, se é assim, vou pensar em algo bom”. Como já estava em pé, dei o primeiro passo adentrando o quarto quase escuro, cantando junto com o ritmo dos meus passos uma música de Toquinho  chamada “O caderno”. Diz ela: “Sou eu que vou seguir você do primeiro rabisco até o bê-a-bá, em todos os momentos coloridos vou estar, a casa, a montanha, duas nuvens no céu e um sol a sorrir no papel...” Mais que rápido aquele frio na espinha penetrou-me novamente, parei de cantar e de andar, pois agora o frio pareceu-me mais cortante e desolador! Me vi sozinha num quarto semi-escuro, cantando uma música que deveria ser feliz, se não fossem as estranhas paredes me pareciam gritar: “Você precisa mesmo se concentrar para produzir algo bom?” Aquilo me entristeceu, deu vontade de ter um alcapão no meu quarto que me levasse até bem longe, onde eu pudesse me cobrir de tristeza e covardia por não pensar  em nada bom, positivo e saudável. Foi quando, inesperadamente, vi os primeiros raios avermelhados arruinarem a negra noite majestosamente e invadirem meu quarto, tingindo-o de uma cor que eu batizei mais tarde de 'laranja celeste'.

   E a minha esperada aurora estava rompendo a noite, era talvez o momento mais emocionante da minha curta vida. Não só pelo cenário ao qual agora eu era integrante, mas sim por me dar conta de que naquele momento eu não pensava mais em nada. Só em dedicar aquele momento a alguém. Então falei baixinho: "Obrigada, Alberth, por me ensinar a silenciar e a ouvir o que minha alma tem a dizer. Eu te amo e aprendo muito contigo; Portanto, esse momento é para você, desejo-lhe um bom dia."

Publicado no Recanto das Letras em 08/05/2007
Modificado em 06/11/2010 e o sentimento continua o mesmo.