14 de mai de 2010

O rio



Eu criei o rio e a correnteza, do mesmo modo que planejei carinhosamente o solo e seu relevo. Pensei também nas gaivotas que voariam durante o dia e no canto dos pássaros noturnos que fariam, ao meu rio, companhia quando o véu da noite caísse. O meu rio era tão lindo que eu passava horas vislumbrando-o, não por orgulho da minha criação, mas pelo profundo amor que sentia por ele - singelo e forte, iluminando toda a paisagem. Vi os peixes se deliciando nas suas puras águas e vi árvores nascendo e crescendo livremente pelo seu perímetro, a relva era verde e sadia e o céu era sempre agradável, de noite ou de dia. A vida ali reinava e tudo que eu via era especialmente regado de um amor incondicional. Mas, infelizmente, não passou muito tempo para que 'eles' chegassem; primeiro, um pequeno e solitário barco, depois dois barcos, depois os barcos se foram e ficaram as pessoas, depois uma casa; por fim, vinte casas já estavam construídas. Crianças, velhos, homens e mulheres, eles se multiplicavam velozmente, sufocando a paisagem que eu vislumbrava outrora. Ali vivem até hoje, mas o meu rio não suportou e desapareceu. De tristeza a terra secou e as árvores morreram, não mais existem gaivotas, nem pássaros noturnos. Até o véu da noite, antes brilhante e magnífico, tornou-se desolador...

...Agora, tudo que criei desapareceu e, com certeza, metade de mim também morreu.

Um comentário:

  1. Testo magnifico, sem palavras de ante dele, mais como nao da pa comentar os sentimentos que nao se dis, sinto o testo ^^.
    Lembro de uma poesia que acho que fui eu quem escrevi, Navegonalta, muito feia. mais emqunto vc fala de um rio, eu estava a tratar de uma ilha. Lindo texto amor

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Sua vez de falar :)

14 de mai de 2010

O rio



Eu criei o rio e a correnteza, do mesmo modo que planejei carinhosamente o solo e seu relevo. Pensei também nas gaivotas que voariam durante o dia e no canto dos pássaros noturnos que fariam, ao meu rio, companhia quando o véu da noite caísse. O meu rio era tão lindo que eu passava horas vislumbrando-o, não por orgulho da minha criação, mas pelo profundo amor que sentia por ele - singelo e forte, iluminando toda a paisagem. Vi os peixes se deliciando nas suas puras águas e vi árvores nascendo e crescendo livremente pelo seu perímetro, a relva era verde e sadia e o céu era sempre agradável, de noite ou de dia. A vida ali reinava e tudo que eu via era especialmente regado de um amor incondicional. Mas, infelizmente, não passou muito tempo para que 'eles' chegassem; primeiro, um pequeno e solitário barco, depois dois barcos, depois os barcos se foram e ficaram as pessoas, depois uma casa; por fim, vinte casas já estavam construídas. Crianças, velhos, homens e mulheres, eles se multiplicavam velozmente, sufocando a paisagem que eu vislumbrava outrora. Ali vivem até hoje, mas o meu rio não suportou e desapareceu. De tristeza a terra secou e as árvores morreram, não mais existem gaivotas, nem pássaros noturnos. Até o véu da noite, antes brilhante e magnífico, tornou-se desolador...

...Agora, tudo que criei desapareceu e, com certeza, metade de mim também morreu.

Um comentário:

  1. Testo magnifico, sem palavras de ante dele, mais como nao da pa comentar os sentimentos que nao se dis, sinto o testo ^^.
    Lembro de uma poesia que acho que fui eu quem escrevi, Navegonalta, muito feia. mais emqunto vc fala de um rio, eu estava a tratar de uma ilha. Lindo texto amor

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