29 de abr. de 2010

O fanático das 900 mortes


No dia 18 de novembro de 1978, um fanático religioso levou mais de 900 seguidores ao suicídio coletivo, numa das maiores tragédias com motivação religiosa da história.




Há exatos 30 anos, no dia 18 de novembro de 1978, ocorreu uma das maiores tragédias com motivação religiosa de todos os tempos. Naquela data, 909 seguidores da seita Templo do Povo, comandada pelo fanático James Warren Jones (o Jim Jones), cometeram suicídio coletivo na comunidade agrícola conhecida como Jonestown, na Guiana. O corpo de Jones foi encontrado junto ao de seus fiéis, com um ferimento a bala na cabeça.

O episódio foi o ponto culminante de uma história iniciada anos antes, quando Jim Jones, nascido no estado americano de Indiana, começou a reunir seguidores – em sua maioria, pessoas pobres e marginalizadas, muitas delas negras, que foram atraídas com promessas de uma vida melhor ao lado do pregador. O sonho de uma comunidade alternativa se concretizou em 1977, quando Jones e os adeptos da seita migraram para a Guiana. Jonestown era uma comunidade auto-suficiente, à semelhança do kibutzin israelense, estabelecida no meio da selva amazônica.

Isolados, seus moradores viviam à margem do mundo, na Guiana (América do Sul). Viviam isolados, sem qualquer contato com o mundo exterior, sob pena de castigos que podia chegar a espancamentos públicos. Era absolutamente proibido opinar acerca das regras estabelecidas e uma das rotinas obrigatórias eram as longas pregações do líder.

Conta-se que os seguidores eram obrigados a satisfazer todos os caprichos de Jones. O dirigente podia escolher suas mulheres entre as seguidoras e interferir diretamente na maneira como as crianças deveriam ser educadas. O mundo só tomou conhecimento de que algo de muito grave acontecia na América do Sul quando o congressista americano Leo Ryan foi executado durante uma visita à seita. Ele foi até Jonestown a pedido de seus eleitores, acompanhado por dois jornalistas, e passou alguns dias conhecendo as instalações e o modo de vida imposto por Jones.

Procurado por fiéis que desejavam desesperadamente sair dali, o deputado conseguiu transporte aéreo para levar um grupo de volta aos Estados Unidos. Antes do embarque, contudo, os homens de Jones mataram todos a tiros numa emboscada.

Jim Jones apercebeu-se que o fim da seita estava próximo, pois àquela altura o governo americano já montava uma força tarefa para acabar com a comunidade e libertar os fiéis, já considerados prisioneiros de um fanático. O falso pastor, então, reuniu todo rebanho para o último sermão. Falou dos inimigos, dizendo que a morte era melhor que a rendição aos infiéis. A certa altura, num ato extremo, exigiu que todos ingerissem um refresco com cianeto, um veneno mortal. Adultos, crianças e idosos obedeceram de bom grado, na expectativa de que a morte lhes abrira aporta para uma vida nova. Três seguidores de Jones, que conseguiram fugir antes do suicídio coletivo, sobreviveram para contar em detalhes as histórias de horror de Jonestown.


Leia o depoimento de uma sobrevivente e mais em Jim Jones - De olhos.

26 de abr. de 2010

Haverá no mundo verdadeira solidão?


Querido diário,

Quando nós estamos sem fazer nada ou a procura de lembranças, vasculhamos coisas antigas, guardadas e - muitas das vezes- esquecidas em caixas embaixo da cama. Foi o que aconteceu hoje comigo, quando achei uma agenda escolar do 1º ano do E. Médio do Colégio Santa Teresa. Engraçado que, apesar de lembrar de pouca coisa que tenha envolvido aquela agenda (talvez por não ter acontecido nada de especial), eu lembro muito bem de um debate que houve na sala sobre um tema que a agenda abordava, então, este será o tema do post desta segundona preguiçosa! Vamos lá.

-
Haverá no mundo verdadeira solidão?




Quando paramos para pensar sobre solidão, sempre imaginamos diferentes situações nas quais nos sentiremos sozinhos, situações estas que ninguém gostaria de experimentar, afinal, sentir-se só talvez seja o maior medo do 'homem moderno'. Por este motivo que nos cercamos de meios tecnológicos e nos afundamos em centros urbanos, como forma de afastar de uma vez por todas a ameaça deste sentimento perturbador que é a solidão.

Creio que a verdadeira solidão é muito difícil de acontecer, primeiro porque quando não temos a companhia física de alguém, temos as lembranças e quando nem mesmo as lembranças se fazem presentes, temos as 'infalíveis' companhias virtuais - que não substituem os amigos reais, mas amenizam este desejo de estar próximo a alguém. Mas, ainda com este grande leque de possibilidades, há casos em que faltam companhias de todas as formas, sobretudo a companhia que jamais deveria nos faltar: o eu interno.

O eu interno é, sem dúvida, a maior companhia que podemos possuir; com ele nunca estaremos a sós e sem ele conheceremos a verdadeira solidão. Muitas pessoas têm a capacidade de se encontrarem com seus 'eus' mesmo na turbulência do dia, isto é viver acompanhado. A qualquer hora do dia, se soubermos olhar para dentro de nós, encontraremos refúgio amigo, aliás, o mais amigável dos refúgios: o único que não é capaz de nos abandonar nem nos trair. 

22 de abr. de 2010

Sinais




Hoje acordei extremamente triste e sem ânimo para nada - inclusive para levantar da cama. A chuva lá fora estava forte desde a madrugada, mas nada que se comparasse ao cenário desolador que dentro de mim se formara. Meus pensamentos eram os piores possíveis: estava me achando uma feia e chata que não serve para nada! Impressionante como eu consegui formular tantos pensamentos depreciativos em tão pouco tempo e como isto me modificara de forma tão brusca e rude. 

Logo vi que, se eu não fizesse algo, iria passar o dia me afundando em mágoas e depreciações; por isso, estiquei o braço e peguei um bloco de anotações e, sem sair da cama, comecei a escrever poesias na tentativa desesperada de emergir daquele poço de tristeza. Mas, como meus versos estavam feios, vazios e sem nexo, julguei melhor não continuar. 

Passei, então, a desenhar.... A esta altura, é desnecessário dizer o quão horríveis ficaram meus rabiscos. Rasguei a folha e, quase em pranto, comecei a orar. Pouco tempo depois, percebi que orava para um Deus surdo, pois nada em mim estava mudando e os pensamentos ruins apenas se multiplicavam velozmente me tornando a cada segundo mais desprezível. 

Da tristeza passei ao ódio. Por que estava acontecendo aquilo logo tão cedo? E por que eu não conseguia controlar nem mesmo o meu pensamento? Foi quando, finalmente, e com muita raiva, levantei da cama e resolvi encarar este dia mal-humorado! Qual não foi a minha surpresa quando eu abri a janela do meu quarto e encontrei um passarinho todo molhado se esgueirando nas grades. O momento que o vi não passou de segundos, mas naquele curto espaço de tempo percebi que, ainda que eu ache Deus surdo, por não ouvir minhas preces, ele não é mudo, pois fala todo o tempo conosco, mas nós - cegos, surdos e mudos - não percebemos seus sinais.

20 de abr. de 2010

Cólica

Querido diário,

Fui à farmácia comprar remédio para cólica menstrual hoje. Chegando lá, o farmacêutico me perguntou se eu não queria levar um 'anti-depressivo à base de frutas da Amazônia.' [O que ele quis dizer com isso?] Eu neguei educadamente, mas a minha vontade era dizer um bom 'NÃO' mesmo que ele me oferecesse um calmante em seguida. '.'

-

Meninas, nós sofremos. 

19 de abr. de 2010

Exigências da vida moderna



Em nenhuma outra época observou-se tantos problemas que ninguém se dava conta de que existiam antes. Problemas estes que advém das inúmeras necessidades construídas que inventamos ao longo do tempo. Quem, na época da vovozinha, morria de depressão? Ou, por exemplo, alguém já ouviu falar de um caso de anorexia ou bulimia há três décadas atrás? Ainda tem a alergia, síndrome do pânico, insônia, enxaqueca, gastrite, obesidade, compulsão por bebida, chocolate, fumo...precisa de mais? rs


Entretanto, meu objetivo não é falar destas doenças, mas apresentar um texto maravilhoso que resume tudo que precisamos ouvir nestes tempos modernos. Divirtam-se!


------------------------------------------ :D ------------------------------------
Exigências da vida moderna







Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio. 
E também uma laranja pela vitamina C. 
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.

Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém
sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e
tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da
laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um
equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai
passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia,
mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora
(por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a
voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser
regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando
eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia
para comparar as informações.
Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e
espero que você não tenha um bichinho de estimação.
Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo
tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os
dentes.
Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se
sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que
ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal...
Tchau....
Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.



Luís Fernando Veríssimo

29 de abr. de 2010

O fanático das 900 mortes


No dia 18 de novembro de 1978, um fanático religioso levou mais de 900 seguidores ao suicídio coletivo, numa das maiores tragédias com motivação religiosa da história.




Há exatos 30 anos, no dia 18 de novembro de 1978, ocorreu uma das maiores tragédias com motivação religiosa de todos os tempos. Naquela data, 909 seguidores da seita Templo do Povo, comandada pelo fanático James Warren Jones (o Jim Jones), cometeram suicídio coletivo na comunidade agrícola conhecida como Jonestown, na Guiana. O corpo de Jones foi encontrado junto ao de seus fiéis, com um ferimento a bala na cabeça.

O episódio foi o ponto culminante de uma história iniciada anos antes, quando Jim Jones, nascido no estado americano de Indiana, começou a reunir seguidores – em sua maioria, pessoas pobres e marginalizadas, muitas delas negras, que foram atraídas com promessas de uma vida melhor ao lado do pregador. O sonho de uma comunidade alternativa se concretizou em 1977, quando Jones e os adeptos da seita migraram para a Guiana. Jonestown era uma comunidade auto-suficiente, à semelhança do kibutzin israelense, estabelecida no meio da selva amazônica.

Isolados, seus moradores viviam à margem do mundo, na Guiana (América do Sul). Viviam isolados, sem qualquer contato com o mundo exterior, sob pena de castigos que podia chegar a espancamentos públicos. Era absolutamente proibido opinar acerca das regras estabelecidas e uma das rotinas obrigatórias eram as longas pregações do líder.

Conta-se que os seguidores eram obrigados a satisfazer todos os caprichos de Jones. O dirigente podia escolher suas mulheres entre as seguidoras e interferir diretamente na maneira como as crianças deveriam ser educadas. O mundo só tomou conhecimento de que algo de muito grave acontecia na América do Sul quando o congressista americano Leo Ryan foi executado durante uma visita à seita. Ele foi até Jonestown a pedido de seus eleitores, acompanhado por dois jornalistas, e passou alguns dias conhecendo as instalações e o modo de vida imposto por Jones.

Procurado por fiéis que desejavam desesperadamente sair dali, o deputado conseguiu transporte aéreo para levar um grupo de volta aos Estados Unidos. Antes do embarque, contudo, os homens de Jones mataram todos a tiros numa emboscada.

Jim Jones apercebeu-se que o fim da seita estava próximo, pois àquela altura o governo americano já montava uma força tarefa para acabar com a comunidade e libertar os fiéis, já considerados prisioneiros de um fanático. O falso pastor, então, reuniu todo rebanho para o último sermão. Falou dos inimigos, dizendo que a morte era melhor que a rendição aos infiéis. A certa altura, num ato extremo, exigiu que todos ingerissem um refresco com cianeto, um veneno mortal. Adultos, crianças e idosos obedeceram de bom grado, na expectativa de que a morte lhes abrira aporta para uma vida nova. Três seguidores de Jones, que conseguiram fugir antes do suicídio coletivo, sobreviveram para contar em detalhes as histórias de horror de Jonestown.


Leia o depoimento de uma sobrevivente e mais em Jim Jones - De olhos.

26 de abr. de 2010

Haverá no mundo verdadeira solidão?


Querido diário,

Quando nós estamos sem fazer nada ou a procura de lembranças, vasculhamos coisas antigas, guardadas e - muitas das vezes- esquecidas em caixas embaixo da cama. Foi o que aconteceu hoje comigo, quando achei uma agenda escolar do 1º ano do E. Médio do Colégio Santa Teresa. Engraçado que, apesar de lembrar de pouca coisa que tenha envolvido aquela agenda (talvez por não ter acontecido nada de especial), eu lembro muito bem de um debate que houve na sala sobre um tema que a agenda abordava, então, este será o tema do post desta segundona preguiçosa! Vamos lá.

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Haverá no mundo verdadeira solidão?




Quando paramos para pensar sobre solidão, sempre imaginamos diferentes situações nas quais nos sentiremos sozinhos, situações estas que ninguém gostaria de experimentar, afinal, sentir-se só talvez seja o maior medo do 'homem moderno'. Por este motivo que nos cercamos de meios tecnológicos e nos afundamos em centros urbanos, como forma de afastar de uma vez por todas a ameaça deste sentimento perturbador que é a solidão.

Creio que a verdadeira solidão é muito difícil de acontecer, primeiro porque quando não temos a companhia física de alguém, temos as lembranças e quando nem mesmo as lembranças se fazem presentes, temos as 'infalíveis' companhias virtuais - que não substituem os amigos reais, mas amenizam este desejo de estar próximo a alguém. Mas, ainda com este grande leque de possibilidades, há casos em que faltam companhias de todas as formas, sobretudo a companhia que jamais deveria nos faltar: o eu interno.

O eu interno é, sem dúvida, a maior companhia que podemos possuir; com ele nunca estaremos a sós e sem ele conheceremos a verdadeira solidão. Muitas pessoas têm a capacidade de se encontrarem com seus 'eus' mesmo na turbulência do dia, isto é viver acompanhado. A qualquer hora do dia, se soubermos olhar para dentro de nós, encontraremos refúgio amigo, aliás, o mais amigável dos refúgios: o único que não é capaz de nos abandonar nem nos trair. 

22 de abr. de 2010

Sinais




Hoje acordei extremamente triste e sem ânimo para nada - inclusive para levantar da cama. A chuva lá fora estava forte desde a madrugada, mas nada que se comparasse ao cenário desolador que dentro de mim se formara. Meus pensamentos eram os piores possíveis: estava me achando uma feia e chata que não serve para nada! Impressionante como eu consegui formular tantos pensamentos depreciativos em tão pouco tempo e como isto me modificara de forma tão brusca e rude. 

Logo vi que, se eu não fizesse algo, iria passar o dia me afundando em mágoas e depreciações; por isso, estiquei o braço e peguei um bloco de anotações e, sem sair da cama, comecei a escrever poesias na tentativa desesperada de emergir daquele poço de tristeza. Mas, como meus versos estavam feios, vazios e sem nexo, julguei melhor não continuar. 

Passei, então, a desenhar.... A esta altura, é desnecessário dizer o quão horríveis ficaram meus rabiscos. Rasguei a folha e, quase em pranto, comecei a orar. Pouco tempo depois, percebi que orava para um Deus surdo, pois nada em mim estava mudando e os pensamentos ruins apenas se multiplicavam velozmente me tornando a cada segundo mais desprezível. 

Da tristeza passei ao ódio. Por que estava acontecendo aquilo logo tão cedo? E por que eu não conseguia controlar nem mesmo o meu pensamento? Foi quando, finalmente, e com muita raiva, levantei da cama e resolvi encarar este dia mal-humorado! Qual não foi a minha surpresa quando eu abri a janela do meu quarto e encontrei um passarinho todo molhado se esgueirando nas grades. O momento que o vi não passou de segundos, mas naquele curto espaço de tempo percebi que, ainda que eu ache Deus surdo, por não ouvir minhas preces, ele não é mudo, pois fala todo o tempo conosco, mas nós - cegos, surdos e mudos - não percebemos seus sinais.

20 de abr. de 2010

Cólica

Querido diário,

Fui à farmácia comprar remédio para cólica menstrual hoje. Chegando lá, o farmacêutico me perguntou se eu não queria levar um 'anti-depressivo à base de frutas da Amazônia.' [O que ele quis dizer com isso?] Eu neguei educadamente, mas a minha vontade era dizer um bom 'NÃO' mesmo que ele me oferecesse um calmante em seguida. '.'

-

Meninas, nós sofremos. 

19 de abr. de 2010

Exigências da vida moderna



Em nenhuma outra época observou-se tantos problemas que ninguém se dava conta de que existiam antes. Problemas estes que advém das inúmeras necessidades construídas que inventamos ao longo do tempo. Quem, na época da vovozinha, morria de depressão? Ou, por exemplo, alguém já ouviu falar de um caso de anorexia ou bulimia há três décadas atrás? Ainda tem a alergia, síndrome do pânico, insônia, enxaqueca, gastrite, obesidade, compulsão por bebida, chocolate, fumo...precisa de mais? rs


Entretanto, meu objetivo não é falar destas doenças, mas apresentar um texto maravilhoso que resume tudo que precisamos ouvir nestes tempos modernos. Divirtam-se!


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Exigências da vida moderna







Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio. 
E também uma laranja pela vitamina C. 
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.

Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém
sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e
tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da
laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um
equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai
passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia,
mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora
(por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a
voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser
regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando
eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia
para comparar as informações.
Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e
espero que você não tenha um bichinho de estimação.
Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo
tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os
dentes.
Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se
sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que
ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal...
Tchau....
Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.



Luís Fernando Veríssimo