6 de mai. de 2011

Quinta

 Não entendo muitas coisas, principalmente quando essas coisas envolvem outras que a metade das pessoas do mundo também não entendem e a outra metade acha que entende algo, mas na verdade também não sabe de nada. 

 Não entendo, por exemplo, como alguém pode conviver com a morte de alguém que ama. 
Eu não amava o Brunno, não amava o George, não amava meus dois hamsters e nem a mãe deles. Mas todos eles morreram recentemente e dói pensar em todos. Como será quando eu tiver que enfrentar isso tudo de verdade? Não entendo....

Certa vez, disse Clarice Lispector

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."


#Dica Desconexa: Assistam 'O fabuloso destino de Amelie Poulain.'

29 de abr. de 2011

Poema Natura




A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O início é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.

A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
A rotina da garganta é o rock.
A rotina da mão é o toque.

Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca é o desejo.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele é o arrepio.

A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.



28 de abr. de 2011

A invenção da mentira

Existe um filme chamado 'The Invention of Lying' ou, na equivocada tradução para o português, 'O primeiro mentiroso' que descreve a vida de Mark, um homem comum inserido numa sociedade em que as pessoas não mentem, ou seja, são sinceras todo tempo e dizem o que realmente pensam, sem rodeios ou omissões – o que seria um desastre de proporções catastróficas em nossa sociedade.


Entretanto, a vida de Mark irá mudar quando ele, inesperadamente, conta a primeira mentira da história. Isso acontece porque ele chega ao cume de suas aflições e, desesperado, não vê saida para seus problemas de dívidas, depressão e solidão. A invenção da mentira acontece no banco, quando a atendente lhe pergunta quanto ele quer sacar. É neste momento que sua mente processa aquela que seria a primeira mentira já contada. Mark arrisca um valor muito superior àquele que possui, e como a funcionária - assim como todos no filme - não conhece a desconfiança, lhe entrega o dinheiro.

A partir daí, sucedem infindáveis acontecimentos cômicos com o uso da mentira, culminando com a invenção da maior mentira de todas, a que envolveu o mundo inteiro: a existência de 'um homem no céu' que controla a todos e os julga bons ou maus, dependendo de seus comportamentos. Isso aconteceu porque a mãe idosa de Mark estava morrendo e ele, na tentativa de acalmá-la, resolve dizer que não há motivos para temer a morte, pois depois do momento de dor todos ganham uma outra vida, melhor e sem sofrimento, eterna e pacífica. Assim como nós cristãos acreditamos, mas com uma pitada de comédia pela própria carga a que o filme se propõe.

Em suma, é um filme filosoficamente divertido. Destinado a todas as idades e mentalidades - se é que me entendem!

Boa sexta-feira a todos!

P.S.: Acho que estou com dengue.
P.S.2.: Não sei como isso aconteceu, mas me indicaram ao prêmio Top Blog. Acho esse nome particularmente ridículo, mas é um evento importante no meio internético; logo, não darei uma de enjoada e ficarei apenas contente em estar participando!

26 de abr. de 2011

A beleza





As pessoas buscam a beleza, percorrem ideais estéticos inalcançáveis e sacrificam prazeres diversos a fim de estarem de acordo com um molde socialmente admirável. Entretanto, esquecem que a beleza não parte de fora, mas do íntimo, da natureza do ser. A beleza, então, é um ideal mutável - não no ponto de vista das alterações culturais, como a moda - mas sim no quesito da sua ampla adaptação aos mais diversos entendimentos.

Desta forma, o meu entendimento de beleza pode e, arrisco-me dizer, deve ser diferente do seu entendimento. Falo que deve ser diferente, pois o mundo e todas as coisas que nele se encontram têm suas belezas distintas e, se todos acharem bonitas as mesmas coisas que eu acho, as demais acabarão por ficar, de certa forma, esquecidas. É necessário, então, que cada um lance seu olhar sobre o mundo e encontre nele o que acha belo. 

Para finalizar, eis aqui uma pequena demonstração da minha idéia de beleza:

Uma pálida luz ao fim da tarde, tristes versos recitados pela amada, suave melodia, chuva cálida, sorriso simples, olhar sincero, faces coradas, mãos atadas, mar revolto, céu pacífico, violino a cantar, bailarina a dançar, ironia, sinceridade....amor.



                                     Em suma, creio que beleza e amor são sinônimos, 
pois tudo que é belo encontra sua plenitude no amor.


6 de mai. de 2011

Quinta

 Não entendo muitas coisas, principalmente quando essas coisas envolvem outras que a metade das pessoas do mundo também não entendem e a outra metade acha que entende algo, mas na verdade também não sabe de nada. 

 Não entendo, por exemplo, como alguém pode conviver com a morte de alguém que ama. 
Eu não amava o Brunno, não amava o George, não amava meus dois hamsters e nem a mãe deles. Mas todos eles morreram recentemente e dói pensar em todos. Como será quando eu tiver que enfrentar isso tudo de verdade? Não entendo....

Certa vez, disse Clarice Lispector

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."


#Dica Desconexa: Assistam 'O fabuloso destino de Amelie Poulain.'

29 de abr. de 2011

Poema Natura




A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O início é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.

A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
A rotina da garganta é o rock.
A rotina da mão é o toque.

Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca é o desejo.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele é o arrepio.

A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.



28 de abr. de 2011

A invenção da mentira

Existe um filme chamado 'The Invention of Lying' ou, na equivocada tradução para o português, 'O primeiro mentiroso' que descreve a vida de Mark, um homem comum inserido numa sociedade em que as pessoas não mentem, ou seja, são sinceras todo tempo e dizem o que realmente pensam, sem rodeios ou omissões – o que seria um desastre de proporções catastróficas em nossa sociedade.


Entretanto, a vida de Mark irá mudar quando ele, inesperadamente, conta a primeira mentira da história. Isso acontece porque ele chega ao cume de suas aflições e, desesperado, não vê saida para seus problemas de dívidas, depressão e solidão. A invenção da mentira acontece no banco, quando a atendente lhe pergunta quanto ele quer sacar. É neste momento que sua mente processa aquela que seria a primeira mentira já contada. Mark arrisca um valor muito superior àquele que possui, e como a funcionária - assim como todos no filme - não conhece a desconfiança, lhe entrega o dinheiro.

A partir daí, sucedem infindáveis acontecimentos cômicos com o uso da mentira, culminando com a invenção da maior mentira de todas, a que envolveu o mundo inteiro: a existência de 'um homem no céu' que controla a todos e os julga bons ou maus, dependendo de seus comportamentos. Isso aconteceu porque a mãe idosa de Mark estava morrendo e ele, na tentativa de acalmá-la, resolve dizer que não há motivos para temer a morte, pois depois do momento de dor todos ganham uma outra vida, melhor e sem sofrimento, eterna e pacífica. Assim como nós cristãos acreditamos, mas com uma pitada de comédia pela própria carga a que o filme se propõe.

Em suma, é um filme filosoficamente divertido. Destinado a todas as idades e mentalidades - se é que me entendem!

Boa sexta-feira a todos!

P.S.: Acho que estou com dengue.
P.S.2.: Não sei como isso aconteceu, mas me indicaram ao prêmio Top Blog. Acho esse nome particularmente ridículo, mas é um evento importante no meio internético; logo, não darei uma de enjoada e ficarei apenas contente em estar participando!

26 de abr. de 2011

A beleza





As pessoas buscam a beleza, percorrem ideais estéticos inalcançáveis e sacrificam prazeres diversos a fim de estarem de acordo com um molde socialmente admirável. Entretanto, esquecem que a beleza não parte de fora, mas do íntimo, da natureza do ser. A beleza, então, é um ideal mutável - não no ponto de vista das alterações culturais, como a moda - mas sim no quesito da sua ampla adaptação aos mais diversos entendimentos.

Desta forma, o meu entendimento de beleza pode e, arrisco-me dizer, deve ser diferente do seu entendimento. Falo que deve ser diferente, pois o mundo e todas as coisas que nele se encontram têm suas belezas distintas e, se todos acharem bonitas as mesmas coisas que eu acho, as demais acabarão por ficar, de certa forma, esquecidas. É necessário, então, que cada um lance seu olhar sobre o mundo e encontre nele o que acha belo. 

Para finalizar, eis aqui uma pequena demonstração da minha idéia de beleza:

Uma pálida luz ao fim da tarde, tristes versos recitados pela amada, suave melodia, chuva cálida, sorriso simples, olhar sincero, faces coradas, mãos atadas, mar revolto, céu pacífico, violino a cantar, bailarina a dançar, ironia, sinceridade....amor.



                                     Em suma, creio que beleza e amor são sinônimos, 
pois tudo que é belo encontra sua plenitude no amor.