16 de dez. de 2010
6 de dez. de 2010
12 de nov. de 2010
Segundo Sol - Cássia Eller
Mentalmente preparei um post sobre os últimos dias e tudo de novo que eles me trouxeram, entretanto, durante um jantar com Alberth, ouvimos essa música e ela me fez esquecer todo o texto que eu tinha preparado.
Isso é tudo. Curtam a música.
Isso é tudo. Curtam a música.
6 de nov. de 2010
A noite da Aurora
Dia desses acordei mais cedo propositalmente para ver a aurora romper, levantei, borrifei água nos olhos e olhei o relógio da cozinha que marcava 4 horas da manhã. Pensei: “Cedo demais.”
Voltei ao quarto e deitei a olhar para o teto na cama ainda quente, na mesma hora, comecei organizar na minha cabeça tudo que eu tinha para fazer neste dia que começara: pensei na minha atividade de matemática, no meu trabalho de filosofia, na apresentação do projeto para a mostra científica, pensei logo depois nos meus problemas familiares... de repente, parei num susto enorme e maquinalmente levantei da cama, um estranho frio entrara pela janela e penetrara-me a alma, pensei: Será que eu não consigo pensar em coisas boas? Só ocupo minha cabeça com coisas que eu tenho a fazer para ganhar uma nota, elogios ou ganhar de outras pessoas? Só penso em ganhar? Será que eu não tenho nada a oferecer a ninguém?
Voltei ao quarto e deitei a olhar para o teto na cama ainda quente, na mesma hora, comecei organizar na minha cabeça tudo que eu tinha para fazer neste dia que começara: pensei na minha atividade de matemática, no meu trabalho de filosofia, na apresentação do projeto para a mostra científica, pensei logo depois nos meus problemas familiares... de repente, parei num susto enorme e maquinalmente levantei da cama, um estranho frio entrara pela janela e penetrara-me a alma, pensei: Será que eu não consigo pensar em coisas boas? Só ocupo minha cabeça com coisas que eu tenho a fazer para ganhar uma nota, elogios ou ganhar de outras pessoas? Só penso em ganhar? Será que eu não tenho nada a oferecer a ninguém?
Pensei também: “Certo, se é assim, vou pensar em algo bom”. Como já estava em pé, dei o primeiro passo adentrando o quarto quase escuro, cantando junto com o ritmo dos meus passos uma música de Toquinho chamada “O caderno”. Diz ela: “Sou eu que vou seguir você do primeiro rabisco até o bê-a-bá, em todos os momentos coloridos vou estar, a casa, a montanha, duas nuvens no céu e um sol a sorrir no papel...” Mais que rápido aquele frio na espinha penetrou-me novamente, parei de cantar e de andar, pois agora o frio pareceu-me mais cortante e desolador! Me vi sozinha num quarto semi-escuro, cantando uma música que deveria ser feliz, se não fossem as estranhas paredes me pareciam gritar: “Você precisa mesmo se concentrar para produzir algo bom?” Aquilo me entristeceu, deu vontade de ter um alcapão no meu quarto que me levasse até bem longe, onde eu pudesse me cobrir de tristeza e covardia por não pensar em nada bom, positivo e saudável. Foi quando, inesperadamente, vi os primeiros raios avermelhados arruinarem a negra noite majestosamente e invadirem meu quarto, tingindo-o de uma cor que eu batizei mais tarde de 'laranja celeste'.
E a minha esperada aurora estava rompendo a noite, era talvez o momento mais emocionante da minha curta vida. Não só pelo cenário ao qual agora eu era integrante, mas sim por me dar conta de que naquele momento eu não pensava mais em nada. Só em dedicar aquele momento a alguém. Então falei baixinho: "Obrigada, Alberth, por me ensinar a silenciar e a ouvir o que minha alma tem a dizer. Eu te amo e aprendo muito contigo; Portanto, esse momento é para você, desejo-lhe um bom dia."
Publicado no Recanto das Letras em 08/05/2007
Modificado em 06/11/2010 e o sentimento continua o mesmo.
28 de out. de 2010
Olá, pessoas!
Para uma quinta-feira melhor, sugiro que leiam esta crônica do meu amigo André Serrão, um dos filósofos mais destacados da Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
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As Crônicas de Lettoria – O Último Passeio
Rafael pedalava cidade adentro em direção ao lugar marcado para o passeio noturno. Pedalava com pressa, sentindo o vento gelado soprando no rosto.
As luzes corriam aos lados dele conforme ia passando pelas casas e prédios. Passava por praças, avenidas, ruas estreitas, indo em direção à parte mais alta do bairro.
Imaginava se Cecília já teria chegado, ou se a encontraria no meio caminho. A ansiedade o levava a desejar encontrá-la logo, em uma rua ali perto, pra que o passeio começasse logo. Mas uma outra parte dele desejava encontrá-la somente no local marcado. Talvez sentada num dos bancos da praça, ou mesmo em pé, fitando a direção da rua da qual ele surgiria.
Ele intuía que a segunda opção era mais provável, e por isso, chegaria por uma rua diferente, através de um caminho um pouco mais longo, vindo pela direção oposta à que ela estaria atenta.
Rafael gostava de surpresas, e gostava especialmente de fazer surpresas para Cecília, por mais simples que fossem.
Logo ele já podia avistar a praça, onde ela supostamente estaria, ao longe. E logo podia vê-la também.
Seu coração bateu muito forte no peito e ele diminuiu a velocidade da bicicleta.
Lá estava ela. Soltando o cabelo, abanando-o para trás e prendendo-o novamente, fitando atentamente a rua da qual imaginava que ele viria. A imagem o fez sorrir e ele imaginou o quanto ela estava ansiosa.
Vagarosamente ele se aproximou. Algumas pessoas na praça o observavam chegar, cada vez mais silencioso, freando pouco a pouco.
Desceu da bicicleta a poucos metros de distância dela e a estacionou próxima a uma árvore, continuando o caminho até ela a pés.
O fez com o máximo de cautela possível. Torcendo para que ela não o visse e estragasse a surpresa.
Mas então, faltando pouco menos de 2 metros para que ele chegasse ao banco que ela sentava, ela o viu.
Cecília saltou do banco num pulo, com um sorriso grande no rosto e correu até ele.
Ele abriu os braços e ela jogou contra ele, abraçando-o muito forte. Suas bochechas se tocaram, pois eles tinham a mesma altura. Ficaram assim por alguns segundos, e então afrouxaram o abraço, mas ainda tocavam-se, ela com o braços nos ombros dele e com as mãos na cintura dela. Nunca tinham estado tão íntimos, nunca tinham se abraçado tão carinhosamente.
-Você estragou minha surpresa. Chegou há muito tempo? – disse Rafael, fitando os olhos dela.
-Cheguei há uns três minutos no máximo. E não estraguei, na verdade até me passou pela cabeça que você fosse fazer algo assim, mas achei que não. Achei que não ia querer perder um segundo sequer vindo por um caminho diferente. Caí como sempre. – ela respondeu e sorriu.
-Você não entende de surpresas mesmo. – disse ele rindo em seguida.
-Não, mas é melhor pra você, eu acabo caindo todas as vezes.
-É verdade! – ele gargalhou.
Um trovão soou no céu e ambos olharam para as nuvens escuras lá em cima.
-Vamos, pegue sua bicicleta, a gente tem que aproveitar o tempo. – disse Cecília.
-Você está com medo da chuva?
-Chuva não vai me impedir de passar a noite com você, se é isso que quer saber.
-Já sei disso, boba.
-Então pega a bicicleta, vai!
-Estou indo.
Rafael foi até sua bicicleta e voltou para Cecília trazendo o pequeno veículo ao seu lado.
A garota subiu na sua bicicleta e começou a pedalar vagarosamente, em direção à ladeira que descia da praça até a parte mais baixa do bairro, no rumo que posteriormente terminaria na praia.
Ele a seguiu. Montou na bicicleta e a acompanhou ladeira abaixo, em grande velocidade, permanecendo lado a lado com a amiga, que a esta hora já era algo mais que amiga, se assim podemos dizer.
E eles desciam, e as luzes e as casas se descortinavam ao redor deles naquele que era um dos locais mais bonitos e tranquilos da cidade.
Era o começo de uma noite que eles desejariam que se repetisse, mas, não haveria uma repetição. Aquele era o último passeio de bicicleta noturno de Rafael e Cecília juntos.
Todos os direitos reservados*
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Gostaram, né? ^^
Então comentem no blog do autor e, de quebra, leiam outros belos textos :)
Até a próxima!!
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Segundo Sol - Cássia Eller
Mentalmente preparei um post sobre os últimos dias e tudo de novo que eles me trouxeram, entretanto, durante um jantar com Alberth, ouvimos essa música e ela me fez esquecer todo o texto que eu tinha preparado.
Isso é tudo. Curtam a música.
Isso é tudo. Curtam a música.
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6 de nov. de 2010
A noite da Aurora
Dia desses acordei mais cedo propositalmente para ver a aurora romper, levantei, borrifei água nos olhos e olhei o relógio da cozinha que marcava 4 horas da manhã. Pensei: “Cedo demais.”
Voltei ao quarto e deitei a olhar para o teto na cama ainda quente, na mesma hora, comecei organizar na minha cabeça tudo que eu tinha para fazer neste dia que começara: pensei na minha atividade de matemática, no meu trabalho de filosofia, na apresentação do projeto para a mostra científica, pensei logo depois nos meus problemas familiares... de repente, parei num susto enorme e maquinalmente levantei da cama, um estranho frio entrara pela janela e penetrara-me a alma, pensei: Será que eu não consigo pensar em coisas boas? Só ocupo minha cabeça com coisas que eu tenho a fazer para ganhar uma nota, elogios ou ganhar de outras pessoas? Só penso em ganhar? Será que eu não tenho nada a oferecer a ninguém?
Voltei ao quarto e deitei a olhar para o teto na cama ainda quente, na mesma hora, comecei organizar na minha cabeça tudo que eu tinha para fazer neste dia que começara: pensei na minha atividade de matemática, no meu trabalho de filosofia, na apresentação do projeto para a mostra científica, pensei logo depois nos meus problemas familiares... de repente, parei num susto enorme e maquinalmente levantei da cama, um estranho frio entrara pela janela e penetrara-me a alma, pensei: Será que eu não consigo pensar em coisas boas? Só ocupo minha cabeça com coisas que eu tenho a fazer para ganhar uma nota, elogios ou ganhar de outras pessoas? Só penso em ganhar? Será que eu não tenho nada a oferecer a ninguém?
Pensei também: “Certo, se é assim, vou pensar em algo bom”. Como já estava em pé, dei o primeiro passo adentrando o quarto quase escuro, cantando junto com o ritmo dos meus passos uma música de Toquinho chamada “O caderno”. Diz ela: “Sou eu que vou seguir você do primeiro rabisco até o bê-a-bá, em todos os momentos coloridos vou estar, a casa, a montanha, duas nuvens no céu e um sol a sorrir no papel...” Mais que rápido aquele frio na espinha penetrou-me novamente, parei de cantar e de andar, pois agora o frio pareceu-me mais cortante e desolador! Me vi sozinha num quarto semi-escuro, cantando uma música que deveria ser feliz, se não fossem as estranhas paredes me pareciam gritar: “Você precisa mesmo se concentrar para produzir algo bom?” Aquilo me entristeceu, deu vontade de ter um alcapão no meu quarto que me levasse até bem longe, onde eu pudesse me cobrir de tristeza e covardia por não pensar em nada bom, positivo e saudável. Foi quando, inesperadamente, vi os primeiros raios avermelhados arruinarem a negra noite majestosamente e invadirem meu quarto, tingindo-o de uma cor que eu batizei mais tarde de 'laranja celeste'.
E a minha esperada aurora estava rompendo a noite, era talvez o momento mais emocionante da minha curta vida. Não só pelo cenário ao qual agora eu era integrante, mas sim por me dar conta de que naquele momento eu não pensava mais em nada. Só em dedicar aquele momento a alguém. Então falei baixinho: "Obrigada, Alberth, por me ensinar a silenciar e a ouvir o que minha alma tem a dizer. Eu te amo e aprendo muito contigo; Portanto, esse momento é para você, desejo-lhe um bom dia."
Publicado no Recanto das Letras em 08/05/2007
Modificado em 06/11/2010 e o sentimento continua o mesmo.
28 de out. de 2010
Olá, pessoas!
Para uma quinta-feira melhor, sugiro que leiam esta crônica do meu amigo André Serrão, um dos filósofos mais destacados da Universidade Federal do Maranhão - UFMA.
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As Crônicas de Lettoria – O Último Passeio
Rafael pedalava cidade adentro em direção ao lugar marcado para o passeio noturno. Pedalava com pressa, sentindo o vento gelado soprando no rosto.
As luzes corriam aos lados dele conforme ia passando pelas casas e prédios. Passava por praças, avenidas, ruas estreitas, indo em direção à parte mais alta do bairro.
Imaginava se Cecília já teria chegado, ou se a encontraria no meio caminho. A ansiedade o levava a desejar encontrá-la logo, em uma rua ali perto, pra que o passeio começasse logo. Mas uma outra parte dele desejava encontrá-la somente no local marcado. Talvez sentada num dos bancos da praça, ou mesmo em pé, fitando a direção da rua da qual ele surgiria.
Ele intuía que a segunda opção era mais provável, e por isso, chegaria por uma rua diferente, através de um caminho um pouco mais longo, vindo pela direção oposta à que ela estaria atenta.
Rafael gostava de surpresas, e gostava especialmente de fazer surpresas para Cecília, por mais simples que fossem.
Logo ele já podia avistar a praça, onde ela supostamente estaria, ao longe. E logo podia vê-la também.
Seu coração bateu muito forte no peito e ele diminuiu a velocidade da bicicleta.
Lá estava ela. Soltando o cabelo, abanando-o para trás e prendendo-o novamente, fitando atentamente a rua da qual imaginava que ele viria. A imagem o fez sorrir e ele imaginou o quanto ela estava ansiosa.
Vagarosamente ele se aproximou. Algumas pessoas na praça o observavam chegar, cada vez mais silencioso, freando pouco a pouco.
Desceu da bicicleta a poucos metros de distância dela e a estacionou próxima a uma árvore, continuando o caminho até ela a pés.
O fez com o máximo de cautela possível. Torcendo para que ela não o visse e estragasse a surpresa.
Mas então, faltando pouco menos de 2 metros para que ele chegasse ao banco que ela sentava, ela o viu.
Cecília saltou do banco num pulo, com um sorriso grande no rosto e correu até ele.
Ele abriu os braços e ela jogou contra ele, abraçando-o muito forte. Suas bochechas se tocaram, pois eles tinham a mesma altura. Ficaram assim por alguns segundos, e então afrouxaram o abraço, mas ainda tocavam-se, ela com o braços nos ombros dele e com as mãos na cintura dela. Nunca tinham estado tão íntimos, nunca tinham se abraçado tão carinhosamente.
-Você estragou minha surpresa. Chegou há muito tempo? – disse Rafael, fitando os olhos dela.
-Cheguei há uns três minutos no máximo. E não estraguei, na verdade até me passou pela cabeça que você fosse fazer algo assim, mas achei que não. Achei que não ia querer perder um segundo sequer vindo por um caminho diferente. Caí como sempre. – ela respondeu e sorriu.
-Você não entende de surpresas mesmo. – disse ele rindo em seguida.
-Não, mas é melhor pra você, eu acabo caindo todas as vezes.
-É verdade! – ele gargalhou.
Um trovão soou no céu e ambos olharam para as nuvens escuras lá em cima.
-Vamos, pegue sua bicicleta, a gente tem que aproveitar o tempo. – disse Cecília.
-Você está com medo da chuva?
-Chuva não vai me impedir de passar a noite com você, se é isso que quer saber.
-Já sei disso, boba.
-Então pega a bicicleta, vai!
-Estou indo.
Rafael foi até sua bicicleta e voltou para Cecília trazendo o pequeno veículo ao seu lado.
A garota subiu na sua bicicleta e começou a pedalar vagarosamente, em direção à ladeira que descia da praça até a parte mais baixa do bairro, no rumo que posteriormente terminaria na praia.
Ele a seguiu. Montou na bicicleta e a acompanhou ladeira abaixo, em grande velocidade, permanecendo lado a lado com a amiga, que a esta hora já era algo mais que amiga, se assim podemos dizer.
E eles desciam, e as luzes e as casas se descortinavam ao redor deles naquele que era um dos locais mais bonitos e tranquilos da cidade.
Era o começo de uma noite que eles desejariam que se repetisse, mas, não haveria uma repetição. Aquele era o último passeio de bicicleta noturno de Rafael e Cecília juntos.
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